Quando Deus pede o impensável a Abraão: matar o filho – por ___Octopus _____________________________________

Posted: 08 Nov 2011 08:13 AM PST .

 

 

Adorado por milhões de cristãos, muçulmanos e judeus, Abraão recebe a ordem de Deus para matar o seu filho, ordem essa que ele aceita. Esse consentimento para o assassinato é perverso e criminal, no entanto, Abraão é visto por estas religiões monoteístas como uma referência de devoção.

 

Como conceber que Deus mandaria um pai matar o seu próprio filho, quando qualquer pai daria a sua própria vida para salvar o seu filho? Este mandamento tirânico é simplesmente uma impossibilidade moral, uma vez que refuta todos os códigos morais concebíveis. Se matar o seu próprio filho inocente é “bom”, então o que na terra constitui o “mal”?

 

Sendo essa ordem doentia, então os 3,5 milhões de seguidores de Abraão deveriam ser classificados de doentes e perversos.

 

A versão islâmica do sacrifício de Abraão é ainda mais terrível do que o conto judaico. Alá ordena que Abraão mate o seu filho Ismael, enquanto Satanás pede a Abraão para poupar a vida do menino. A mãe de Ismael estava presente quando Abraão estava prestes a matar o seu filho, e nada fez para o impedir. Por três vezes Abraão afasta Satanás atirando-lhe pedras.

 

Todos os anos no Hajj na Meca, mais precisamente em Mina os peregrinos atiram contra três bétilos (pedras que eram adoradas como divindades nos tempos pré-islâmicos). A maior delas, Jamarat al-Kubra, representa hoje Satanás. O acto tem como simbologia o desejo de se renunciar ao mal e exaltar o Deus único. Mas neste episódio, quem é o “bom” e quem é o “mal”? Aquele que ordena um assassinato ou aquele que implora para que uma vida seja poupada? É essa história nauseante de ódio dos país para com os seus filhos inocentes que é comemorado pelos seguidores das religiões monoteístas. Como pode haver qualquer debate moral quando a resposta é óbvia: adoram um assassino, não um Deus da Vida. Sendo ele todo-poderoso, é moralmente responsável por encorajar o assassinato de inocentes. No entanto, paradoxalmente, tanto a religião judaica, cristã ou muçulmana foram fundadas com base em não matar ninguém em nome de Deus. Não deveria a história de Abraão ter sido contada ao contrário?

 

Os seguidores de Abraão dizem que Deus estava a testar-lo. Nesse caso, o teste era obedecer ao comando mais vil de todos sem o por em questão. Na verdade, não seria o Diabo que estaria a testar Abraão, e o teste era ver se este estava preparado para cegamente obedecer a uma ordem e executar o mal supremo, em vez de aceitar a responsabilidade moral e pessoal pelos seus actos.

 

Será que Abraão mostra qualquer consideração pelo seu filho? Será que assume a responsabilidade moral? Será que acredita que matar uma criança inocente é um acto “bom”? Ou será que não pensa nas consequências, mas simplesmente obedece como uma maquina programada? Não será isso mesmo que se pede a todos os seguidores de Abraão, portanto da religiões monoteístas: nunca pensar e comportaram-se como autômatos obedientes? Desprezam assim tanto a liberdade? Implicitamente o que as religiões fazem-nos crer é que o livre-arbitro humano é a causa do mal.

 

Dizem que a humanidade nunca deveria ter comida do fruto da Árvore do Conhecimento, mas permanecer absolutamente obediente a Deus, única entidade a definir o bem e mal. Porque razão essas três religiões veem em Abraão uma fonte de inspiração e não um psicopata? Os milhões de cristãos, muçulmanos e judeus, descendentes de Abraão, consideram-no intrinsecamente “bom” por obedecer a qualquer ordem de Deus, sua obediência cega, sem escolha moral, faz dele apenas uma maquina programada.

 

O Abraamismo é o credo da absurda obediência escravizadora a um mestre irracional poderoso. Os adeptos dessas religiões são apenas guiados pelo terror da possível pena infligida por Deus, por desobediência, como as punições infinitas no inferno. Deus faz valer a sua vontade através do Terror. É um dos seus trunfos. A ser assim, esse Deus tem os mesmos princípios que o diabo.

 

Poderá qualquer pessoa sã e racional imaginar uma religião de amor, compaixão, bondade, perdão e paz que foi fundada na imagem de um pai, de pé sobre seu filho pronto para mergulhar um punhal dentro dele a mando de Deus? Tem de se ter uma mente moralmente doentia para imaginar e aceitar que qualquer religião benevolente poderá ter tais fundamentos, e ser baseada no terror.

 

Tradução e adaptação livre de Octopus de um excerto de um texto publicado em:

 http://www.armageddonconspiracy.co.uk/

 

1 Comment

  1. Como este texto se articula bem com o texto do Le Monde Diplomatique ” que publicámos ontem intitulado “A fábrica da alma estandardizada”: a crueldade na forma “hard ” versus a crueldade na forma “soft “, uma e outra num belo conluio entre as religiões e os poderes políticos.

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