Conselho de Segurança, oxalá o mês passe depressa! – por Augusta Clara

 

Que mais terá ido Cavaco Silva garantir a Barak Obama para além de que Portugal está a ser bem comportado e cumpre à risca as ordens do FMI? Portugal não, o poder político português. Nós não mandamos nada. Mas terá sido só isto que ele lá foi fazer?

 

Cada vez que Cavaco Silva abre a boca ou choro ou rio. Desta vez tremi. É que vamos ocupar a presidência do Conselho de Segurança da ONU durante o próximo mês e a imprensa mundial agita já o papão da bomba atómica nas mãos do Irão.

 

Se o Irão tem ou não armas nucleares, o que aconteceria à semelhança do seu vizinho Israel, não sabemos, tal como não sabíamos em relação ao Iraque. Mas a verdade é que, nessa altura, a Agência de Energia Atómica se tinha pronunciado pela negativa, não tendo impedido com isso que a guerra se desencadeasse.

 

Hoje, a mesma Agência atesta o contrário, garantindo que as investigações feitas a esse respeito estão bem fundamentadas, com todos os cruzamentos necessários já efectuados. Alguém teve o cuidado de prevenir que não acontecesse o mesmo.

 

Sabemos bem que as decisões  tomadas  no Conselho de Segurança nada têm a ver com o voto do país que lhe preside. Aliás, as decisões têm quase sempre muito mais a ver com o poder de veto que alguns países possuem, com primazia para o veto dos Estados Unidos da América.

 

Terá Barak Obama pedido ao nosso PR que exerça a sua influência junto de algum dos países do Conselho de Segurança?

 

Mas, quem troca Thomas More por Thomas Mann na autoria da obra “Utopia”, um português que não sabe quantos cantos tem “Os Lusíadas” e que nunca se pronuncia sobre nada, será senhor de qualquer capacidade para influenciar a política externa dum país? Duvido.

 

Então, que mais terá ido Cavaco Silva fazer à Casa Branca?

 

Envergonhar-nos foi, de certeza, quanto mais não seja por ter ido prestar vassalagem sobre as decisões que só ao Estado português deveriam dizer respeito. E, por isso, é que eu tremi. Tremi de raiva e de repugnância pelos vexames que os dirigentes deste país nos fazem passar.

 

Oxalá – é a palavra certa para formular este desejo -, o próximo mês passe depressa.

 

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