O Pato algemado – 11 – coordenado por Carlos Loures

O Pato algemado

 

Uma alternativa às balas de borracha e às cargas de bastão, chega-nos de há 103 anos atrás…

 

(Almanach Bertrand, 1908)

 Como controlar patos

 

Duas histórias de patos

 

Um pato entra num pequeno restaurante e pergunta ao dono:

– Há comida para patos?

– Não, não há! Isto é  um restaurante para pessoas. Vá, desaparece!.
No dia seguinte, o pato entra no mesmo restaurante e pergunta outra vez ao homem:
— Há comida para patos?
— NÃO! Já te disse ontem que só temos comida para pessoas. Põe-te a milhas!
Terceiro dia, o pato entra no restaurante e repete a pergunta:
— Há comida para patos?
O homem, fora de si, grita:
— NÃO! NÓS NÃO TEMOS COMIDA PARA PATOS E SE VENS CÁ MAIS ALGUMA VEZ PERGUNTAR POR COMIDA PARA PATOS, EU PREGO-TE OS PÉS AO CHÃO! PISGA-TE!

No dia seguinte, o pato volta e pergunta:
— Tem pregos?
O homem, tentando não se irritar, responde:
— Não, não temos pregos.
— Ainda bem… e comida para patos?

 

Três mulheres morreram num acidente de automóvel e foram para o céu. À entrada, cumpridas as formalidades, São Pedro avisou:

 

– Aqui no céu só há uma regra. Não pisar os patos.

Elas acharam a regra esquisita, mas quando finalmente atravessaram as portas, perceberam que era quase impossível andar sem pisar um pato. O Paraíso estava forrado de patos! Ainda meio confusa, uma das mulheres pisou um pato que grasnou furiosamente. Minutos depois, São Pedro apareceu com uma corrente, um cadeado e o homem mais feio que ela já tinha visto e disse:

 

– Não cumpriste a regra… O teu castigo é viveres toda a eternidade acorrentada a este homem.

Dias depois, a segunda mulher cometeu o mesmo erro – pisou um pato – grasnadela atroadora e como antes São Pedro acorrentou-a ao homem mais feio que ela vira em dias da sua vida (e de sua morte) e disse:

– O teu castigo é viver por toda a eternidade amarrada a este homem.

Perante estes exemplos, a terceira mulher passou a ser extremamente cuidadosa. Conseguiu nunca pisar um dos milhares de milhões de patos que por ali vagueavam.  Passaram alguns meses e, um dia, São Pedro apareceu com um homem de uma grande beleza – o rapaz mais bonito que ela alguma vez vira (“é lindo”- pensou para consigo) – acorrentou-a a ele. Não percebendo o que se passava, ficou quieta. Quando São Pedro se afastou, disse ao maravilhoso jovem :

 

– O que será que fiz para receber este prémio?. O rapaz respondeu:

 

– A senhora não sei. Eu… pisei um pato!

 

Há mais histórias de patos – a do Hans Christian Andersen – “o Patinho feio” que não cabe aqui – afinal um cisne é um pato aristocrata, um ganso com a mania das grandezas. Há também a história do náufrago que não gostava de pato…  Fica para outra altura.

2 Comments

Leave a Reply