Diário de bordo de 14 de Novembro de 2011

Durante a sua visita aos Estados Unidos, num jantar com empresários portugueses, Cavaco Silva disse confiar na maturidade cívica e no patriotismo dos portugueses para mudar o rumo do País. Na maturidade e patriotismo do actual Governo é que seria estulto confiar, pois são atributos que não existem. O terrorismo económico a que está a submeter a população trabalhadora, constitui uma prova de imaturidade – nem Salazar foi tão longe e o desrespeito sistemático pela Constituição da República, configura um verdadeiro golpe de Estado. Quanto a patriotismo, como Francisco Louçã disse ontem, o Governo comporta-se como embaixador de Ângela Merkel – patriotismo germânico?

 

A manifestação de sábado passado, com 180 mil pessoas descendo a Avenida da Liberdade, pressupõe um êxito para a greve geral do próximo dia 24. Nada que perturbe esta gente que, utilizando como degraus os erros do governo de Sócrates, trepou sem grande esforço até São Bento. No quadro actual, não acreditando demasiado na eficácia de greves e manifestações, entendemos estes actos como mensagens e sinais que o Governo de Passos Coelho devia saber interpretar. Mas talvez esteja demasiado ocupado no seu esforço de cumprir com zelo as ordens que lhe chegam de Bruxelas.

 

O povo português está a dar provas de espírito cívico e de maturidade, como Cavaco Silva pede. Talvez o presidente entenda que essas qualidade de cidadania se provam demonstrando paciência e resignação. Mas há um nível de paciência e de resignação para além do qual já não se está maduro, mas sorvado. Numa análise pouco profunda, mas com bastante impacto mediático, o jornalista americano Gerald Celente denuncia, em recente entrevista televisiva, a farsa desta democracia, classificando-a mesmo como «fascismo». Temo-lo dito de várias maneiras – na prática, esta democracia é uma nova forma de fascismo.

 

Saibamos, com espírito cívico, patriotismo e maturidade, mudar o rumo do País, com Cavaco Silva pediu. Porém, provavelmente, não estamos a falar do mesmo a que o Presidente da República se referia…

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