OS HOMENS DO REI – 76 – por José Brandão

Visconde de Santarém (1791-1850)

Foi o filho único do primeiro matrimónio do 1.º visconde de Santarém, João Diogo Barros Leitão de Carvalhosa, e sua mulher, D. Mariana Rita Xavier Procille O’Kally Ribeiro Rangel, D. Manuel Francisco de Macedo Leitão e Carvalhosa, 2.° Visconde de Santarém Nasceu em Lisboa, em 18 de Novembro de 1791, e morreu em Paris, em 17 de Maio de 1850. Era ainda estudante, quando, em 1808, partiu para o Brasil na comitiva da família real, no momento histórico em que, para evitar as humilhações da primeira invasão francesa, ela fugiu para o Brasil. Logo no ano seguinte, apenas com 18 anos de idade, começou a coligir e classificar os documentos diplomáticos portugueses lá existentes. Em 1817, porém, nomeado conselheiro da Embaixada em Paris, para lá partiu, regressando no ano seguinte.

 

Não querendo aderir à revolução vintista, saiu com a família de Portugal para Inglaterra e foi residir em Paris com as oito pessoas que a constituíam.

 

Não cortou, porém, as relações com a família real, nem com o Governo português, ainda no Brasil, e mais de uma vez foi ele que do Rio de Janeiro recebeu instruções para transmitir ao representante de Portugal no Congresso de Viena. Pelo regresso da família real a Lisboa, esta cidade o atraía de novo, e a Corte, que lhe admirava os talentos e as pesquisas, deu-lhe disso a prova na insistência com que tentou fazê-lo nosso embaixador na América do Norte, honra que resistentemente recusou.

 

O que ele não recusou foi o encargo de dirigir, como guarda-mor, a Torre do Tombo. Mas a sua dedicação à família reinante, e, no momento histórico em que ela estava dividida geográfica e moralmente, de modo muito mais caloroso, a D. Miguel e à regente D. Isabel Maria, envolveu-o na confusão da política do tempo, não tardando a aceitar, em 1827, a pasta do Reino, a que juntou a de ministro da Marinha e Ultramar.

 

Não aqueceu o lugar. O Governo vivia em vácuo gélido. Nem apoio de apostólicos, nem de liberais pedreiros-livres, como lhes chamavam. Abandonou-o dentro de pouco. Mas no ano seguinte, quando D. Miguel se proclamou rei absoluto, o visconde, tradicionalista, sentiu nele o genuíno representante da nação antiga, reavivada até ao delírio no zelo a cada posso violento com que a cacete defendia o imobilismo do passado e ei-lo ministro dos Estrangeiros, o sector de mais urgentes tarefas, sobretudo a de fazer reconhecer pelas nações estrangeiras o Portugal que ele inculcava restituído ao seu antigo ser. Foi dele a carta ao corpo diplomático acreditado em Lisboa, escrita com o mesmo objectivo, depois de a Câmara Municipal de Lisboa proclamar D. Miguel o soberano legítimo da Nação.

 

Foi na sua atormentada e dolorosa despedida da vida pública e, dentro de algum tempo, do País que julgava servir com o amor de sempre e as tarefas da circunstância.

 

Uma atitude do ministro, já no fim do efémero reinado de D. Miguel, foi a de lhe sugerir, por intermédio da carta ao duque de Lafões, a capitulação e negociações com seu irmão D. Pedro, para evitar a derrota que tudo fazia prever. D. Miguel, irritado contra tal atitude e tal sugestão, demitiu imediatamente o ministro. Após a Convenção de Évora-Monte, o visconde de Santarém, depois de demitido do seu cargo de guarda-mor da Torre do Tombo e tendo sido despojado de toda a correspondência que guardava em casa, cujo exame foi confiado a uma comissão nomeada pelo Governo, adivinha-se com que conflito de sentimentos fez a declaração de que acatava o novo regime, mas seguindo imediatamente para Paris, onde fixou para sempre residência.

 

Morreu em 17 de Maio de 1850, à beira de completar 60 anos de idade.

 

A seguir – Conde de Amarante

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