Um café na Internet
É ciúmes a Cidra,
E indo a dizer ciúmes disse Hidra,
Que o ciúme é serpente,
Que espedaça seu louco padecente,
Dá-lhe um cento de amor o apelido,
Que o ciúme é amor, mas mal sofrido,
Vê-se cheia de espinhos e amarela,
Que piques e desvelos vão por ela,
Já do forno no lume,
Sidrach foi zelo, se não foi ciúme,
Troquem, pois, os amantes e haja poucos,
Pelo zelo de Deus, ciúmes loucos.
(Enganos do Bosque)
Soror Maria do Céu (1658-1753), religiosa de origem nobre, foi um dos expoentes da poesia barroca em Portugal. Escreveu também peças de teatro e outros tipos de prosa. O poema acima publicado foi incluído por Natália Correia em O Surrealismo na Poesia Portuguesa, no capítulo As Anamorfoses.

