UM CAFÉ NA INTERNET – Uma Primavera de Mulher, por Maria Amália Vaz de Carvalho (Lisboa, 1847-1921)

 

Um café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Foram as queixas da rola

chorando com perdido amor l

foi o zumbido da abelha

aurindo a seiva da flor I

 

Foi a fragrância que à noite

se respira no pomar 1

foi o gemido tão triste

das tristes ondas do mar l

 

Foi a fada que passeia

nos floridos matagais

foram as auras ligeiras

volitando entre os rosais!

 

Foi tudo, tudo, mãe, que a natureza

ao seus eleitos diz, explica, ensinai

segredos que palpitam nas estrelas

que embalsamam nas flores da campina

Aí  tendes os mestres da formosa poetisa.

Quereis agora ver a força, a energia do seu

espírito? uma feição viril do seu génio? vou

transcrever duas estrofes que vo-la porão em relevo.

 

Quando no canto segundo termina o dialogo

Entre os dois amantes, a nossa poetisa exclama:

 

Porque fugis assim, horas avaras?

 

ó tempo, que não paras,

quando tão rara brilha sobre a terra

essa luz de inefável suavidade,

 que n'um momento só resume e encerra 

a vida, o paraíso… a eternidade I..

Amor sublime, imorredoira essência,

centelha que derramas na existência

celeste claridade !

 

(Excerto)

 

 

 

Escritora polígrafa e poetisa, autora de contos e poesia, mas também de ensaios e biografias. Colaborou em diversos jornais e revistas, publicando crónicas de crítica literária e opiniões sobre ética e educação, para além de ter analisado, com notável clarividência, a condição e o papel da mulher na sociedade do seu tempo. Foi a primeira mulher a ingressar na Academia das Ciências de Lisboa, eleita em 13 de Junho de1912.

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