Um café na Internet
Foram as queixas da rola
chorando com perdido amor l
foi o zumbido da abelha
aurindo a seiva da flor I
Foi a fragrância que à noite
se respira no pomar 1
foi o gemido tão triste
das tristes ondas do mar l
Foi a fada que passeia
nos floridos matagais
foram as auras ligeiras
volitando entre os rosais!
Foi tudo, tudo, mãe, que a natureza
ao seus eleitos diz, explica, ensinai
segredos que palpitam nas estrelas
que embalsamam nas flores da campina
Aí tendes os mestres da formosa poetisa.
Quereis agora ver a força, a energia do seu
espírito? uma feição viril do seu génio? vou
transcrever duas estrofes que vo-la porão em relevo.
Quando no canto segundo termina o dialogo
Entre os dois amantes, a nossa poetisa exclama:
Porque fugis assim, horas avaras?
ó tempo, que não paras,
quando tão rara brilha sobre a terra
essa luz de inefável suavidade,
que n'um momento só resume e encerra
a vida, o paraíso… a eternidade I..
Amor sublime, imorredoira essência,
centelha que derramas na existência
celeste claridade !
(Excerto)
Escritora polígrafa e poetisa, autora de contos e poesia, mas também de ensaios e biografias. Colaborou em diversos jornais e revistas, publicando crónicas de crítica literária e opiniões sobre ética e educação, para além de ter analisado, com notável clarividência, a condição e o papel da mulher na sociedade do seu tempo. Foi a primeira mulher a ingressar na Academia das Ciências de Lisboa, eleita em 13 de Junho de1912.


