João Franco (1855-1929)
João Franco Ferreira Pinto Castelo Branco já passara a casa dos cinquenta quando é chamado por D. Carlos para constituir Governo. Vem de um passado político que começara como deputado do Partido Regenerador e por várias participações em governos regeneradores ora como ministro da Fazenda ou das Obras Públicas.
No Governo regenerador de Hintze Ribeiro, formado em 1893, cabe-lhe a importante pasta de ministro do Reino onde defende então o fortalecimento da autoridade governamental fazendo promulgar uma lei que contem várias disposições repressivas contra opositores ao regime. Os sectores da oposição chamam à lei de João Franco, «Lei Celerada».
Em 1901 rompe com o seu partido e, com aparato de propaganda pouco usual na época, lança o novo Partido Regenerador Liberal, que se apresenta como algo de novo em relação aos esquemas rotativistas, afirmando um carácter «nacional», defensor de um poder real forte e de reformas que combatam no terreno republicano.
A falência do rotativismo, partilhado durante vários anos entre os partidos dinásticos Regenerador e Progressista leva a que D. Carlos se «lembre» de João Franco em Maio de 1906.
«Sem luta não há prazer em vencer, e a vitória sem combate, e combate sério, nunca é uma vitória duradoura», declarava o monarca que no 1.º dia do mês de Fevereiro de 1908 cai às balas de dois carbonários, que e no dizer de vários depoentes, em princípio, «apenas» se dispunham a eliminar o ditador João Franco.
João Franco negará em absoluto a veracidade desta versão que o coloca como principal alvo. Afirma mesmo que passeou junto ao local onde se prostravam os assassinos e nada lhe sucedeu. No cortejo, a sua carruagem era a quarta da fila, passando incólume.
A morte do rei trouxera o desânimo às fileiras monárquicas que não poupavam o chefe do Governo, apontando-o como o principal culpado do que tinha acontecido no Terreiro do Paço.
Quando o tentaram avisar de que a vida do rei corria sério perigo responde: «Pois quê? É lá possível tocar em el-rei… Todas as medidas estão tomadas. Há polícia em Vila Viçosa, a linha do caminho-de-ferro está vigiada. Que mais quer? Boatos, sempre boatos…».
O próprio rei desconfiava do ambiente que o circundava. Não ignorava que a sua vida andava em perigo permanente. Quando lhe falavam das circunstâncias ameaçadoras, a resposta invariavelmente era esta: – As minhas armas estão sempre carregadas.
D. Carlos sentia que havia algo que não estava correcto; e um dia, passeando com o seu ajudante, tenente-coronel José Lobo de Vasconcelos, desabafa: «Tu julgas que eu ignoro o perigo em que ando? No estado de excitação em que se acham os ânimos, qualquer dia matam-me à esquina de uma rua. Mas, que queres tu que eu faça? Se me metesse em casa, se não saísse, provocaria um grande descalabro. Seria a bancarrota. E que ideia fariam de mim os estrangeiros, se vissem o rei impedido de sair? Seria o descrédito. Eu, fazendo o que faço, mostro que há sossego no País e que têm respeito pela minha pessoa. Cumpro o meu dever. Os outros que cumpram o seu.»
E no dia 1 de Fevereiro de 1908, nenhumas providências excepcionais foram tomadas porque para João Franco não havia razões algumas para tal.
Nessa mesma noite de 1 de Fevereiro de 1908 o Conselho de Estado reúne-se no Palácio das Necessidades onde se decide o afastamento de João Franco.
Morre em Lisboa no dia 4 de Abril de 1929.
A seguir:

