Diário de bordo de 2 de Dezembro de 2011

 

Não perfilhamos a teoria de que a história se repete, se é que teoria se pode chamar a um conceito que tem mais a ver com as ciências ocultas do que com a Ciência Histórica. Aceitar esse princípio seria o mesmo que querer conduzir um automóvel olhando só pelo retrovisor. No entanto, olhando a estrada em frente, não faz mal, pelo rabo do olho, ir espreitando o retrovisor. É mesmo um preceito da boa condução.

 

A Alemanha é um país relativamente recente. Tem 140 anos, pois o estado alemão foi formalmente constituído no ano de 1871 no Salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes. Isto com o propósito expresso de humilhar a França, vencida na Guerra Franco-Prussiana. A criação de impérios era no plano político uma característica do Romantismo que grassava pelas artes e pelas letras e a Prússia quis hegemonizar a refundação do  Sacro Império Romano Germânico, que existiu desde o século VIII até 1806. A partir de meados do século XV, passou a ser conhecido como o “Sacro Império Romano da Nação Germânica”.

 

Mil anos, mais ou menos, durou o primeiro Reich. Bismarck criou o segundo (que durou entre 1871 e 1918)  e Hitler o terceiro, aglutinando a actual Alemanha, a Áustria, a Eslovénia, a República Checa, o oeste da Polónia, os Países Baixos, o leste da França, a Suíça e parte da Itália central e setentrional. Outros mil anos iria durar, profetizou Hitler que conduzia o seu carro olhando pelo retrovisor. Aguentou-se doze , entre 1933 e 1945.

 

Usa-se muito a expressão IV Reich para designar a visível hegemonização da União Europeia pela Alemanha, usando como bengala uma França, onde ninguém parece olhar pelo retrovisor – talvez para não ver uma sucessão de derrotas e humilhações – que só um corso baixinho e teimoso interrompeu.

 

A história não se repete. A senhora Merkel não é nem Bismarck, nem Hitler. Mas sempre que a Alemanha, animada pelo espírito prussiano, basicamente estúpido, monolítico, convencido de uma superioridade que só vem da insensibilidade e do rigor matemático sobrepondo-se à compaixão e á compreensão do Outro, sempre que a Alemanha quer dominar, desencadeia-se uma guerra. Morrem milhões de pessoas, tudo fica em ruínas e os prussianos lá se recompõem, começam a fazer contas, a vender os seus produtos, a fazer prevalecer os seus interesses…

 

A história não se repete, mas devemos estudá-la. Olhar o retrovisor sem perder de vista e estrada que temos em frente…

 

 

 

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