UM CAFÉ NA INTERNET – Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 13. Por Manuela Degerine.

Um café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Elementar, meu caro Watson

 

 

 

 

Passam-se compridos minutos até o alberguista condescender em nos mostrar – de longe – a chave do mistério.


– Vou apresentar a Linda num concurso: ela tem que mostrar os dentes e não pode comportar-se de maneira tímida nem agressiva.


Começa então a falar francês sem o mínimo sotaque. E com os imperfeitos do conjuntivo… (Conheci na Sorbonne latinistas ou helenistas, em fim de carreira, que os empregavam; e na rádio France-Culture ainda os oiço, uma ou outra vez, a algum membro do “Collège de France”. Nicolas Sarkozy empregou este ano um imperfeito do conjuntivo – que foi, durante meses, repetido por todos os caricaturistas.) Maryvonne inquire se um dos cães que avistámos no quintal é pastor dos Pirinéus. E impressionada:


– O senhor fala tão bem!


Sorriso breve dele todavia, quanto a explicações: nada. Põe a cadela debaixo do braço e deseja-nos soturnamente boa noite.


Passamos dois dias a rir à gargalhada. Encontrámos o abrigo vazio mas havia seis limões no frigorífico, comprados duas horas antes de chegarmos, como indica o talão da caixa descoberto em cima da bancada num saco do Pingo Doce; tiramos destes factos a mais elementar das conclusões. Os donos – são excessivos limões para um único caminhante – foram cortados às postas para alimento dos cães: um chiuauá, um pastor dos Pirinéus e dois Serra-da-Estrela.


– Escapámos por ele ter o congelador cheio… Ah, que sorte a nossa!

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