AVENIDA DA POESIA – Walt Whitman, Joan Brossa e Carlos Loures

 

Walt Whitman

(Huntington, 1819 – Camden, 1892)

 

 

 

 

MÁQUINA ALGUMA DE POUPAR TRABALHO

 

eu nada fiz, nada inventei,

nem sou capaz de deixar para trás

nenhum rico donativo

para fundar um hospital ou uma biblioteca,

reminiscência alguma

de um acto de bravura pela América,

nenhum sucesso literário ou intelectual,

nem mesmo um livro bom para as estantes

— apenas uns poucos cantos

vibrando no ar eu deixo

aos camaradas e amantes.

 

(Leaves of Grass)

 

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Joan Brossa

(Barcelona, 1919-1998)

 

A LA POESIA

 

 

Oh Poesia, emmotlla en els avenços

l’orgull de poder dir company o pàtria;

els rics detalls han envelat les fustes

dels brots del cant.

 

Cada hora modifica’t, Poesia;

fes campejar severa fantasia

amb l’escalfor de l’esperit del poble

del meu país.

 

L’art del carrer on has estat bastida,

l’escultura del ferro que afaiçones,

no els vols un quadre mort. De vida intensa

forja el record.

 

Esmena’t de l’afany dels qui et fan fosca,

poetes de la mel i la melassa,

capells de copa groga i cementiris,

productes bords.

 

Treu-te la cucurulla dels diumenges,

posa’t a lloc i reparteix els gustos

per al coronament d’un goig estètic

amb vida al fons.

 

Sigues mestressa amb seny en la manera

de referir-te als homes i a les coses;

constant corrent de brisa, ret justícia

a pobres flors.

 

Torna, amor meu, integra’t a les vides,

uneix les fletxes a la senzillesa;

deixa de banda els fòssils de les bèsties

fets de més tro.

 

Enrotlla’t al meu cos. Però il•lumina,

com el feix lluminós d’una lent clara,

la molta empenta d’aquest sol concepte:

la Llibertat.

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Carlos Loures

 

(Lisboa, 1937)

 

 

NÓS POETAS

 

 

Dizemos Povo cantamos Povo

sem que as nossas vozes edifiquem

por vezes as traves da palavra

as sibilinas trevas do seu som.

 

A que pedra arrancámos a sua abóbada

de mãos erguidas e crispados gritos?

Em que mesa compartilhámos a sua fome

em que dorso sofremos o seu cansaço

e em que lenço enxugámos o seu suor?

Em que rosto chorámos as suas lágrimas

em que peito acolhemos a sua dor?

 

Ah companheiros de ofício nem sempre

ou quase nunca o Povo dos poemas

é aquele que transcorre pelas paisagens

em que habita o desespero e espera a morte.

 

Bandeira será florindo o nosso verso

mas Povo no poema é coisa rara

que em rosa não cabe a sua sorte

 

(A Poesia deve ser feita por todos, 1970)

 

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