Falemos de paradoxos. Paradoxo é palavra que vem do grego parádoxos e que, literalmente, significa contrário à previsão ou à opinião comum. Um paradoxo que costuma ser citado é um dos de Zenão de Eleia, filósofo pré-socrático, que terá vivido no século V a.C. Criou mais de quarenta, mas o mais conhecido é o da flecha que ao ser disparada jamais atingirá o alvo se a distância a percorrer puder ser infinitamente partida. Nunca sendo possível atingir o zero, a seta ficará sempre a alguma distância do alvo.
Os economistas não se cansam na sua tentativa de desmontar o paradoxo que esta gente desprezível, mandatária dos poderes económicos, dos interesses dos grandes grupos internacionais, criou. E quando dizemos «esta gente» não nos referimos especificamente à troupe do senhor Coelho, mas utilizamos a expressão num sentido mais abrangente. porque «esta gente» (lato senso) governa-nos desde sempre – com títulos nobiliárquicos, alguns conseguidos em manobras de alcova, frutos de falsas paternidades, e mais recentemente com qualificações académicas, algumas obtidas em fins-de-semana e em esconsas instituições.
Ou seja, por «esta gente», queremos significar os que, de uma maneira ou de outra, ungidos por Deus ou pelo Diabo, trepam por cima de todos e conseguem chegar a um poleiro de onde supostamente nos governam e, realmente, se governam. Olhemos um por um os ministros deste executivo – exceptuando um ou outro caso (o mais gritante é o de Nuno Crato que, pelo prato de lentilhas de um ministério, vendeu um currículo que o dignificava), é gente que teria dificuldade em singrar numa grande empresa. Quem tem experiência de direcção empresarial, perceberá o que queremos dizer – há ministros e ministras que, num quadro empresarial sério e coerente, não teriam lugar ou, em desespero de causa, teriam de ser remetidos para um qualquer departamento da treta, daqueles que, pendurados lateralmente nos organogramas, não interferem no funcionamento do negócio.
O paradoxo criado por esta gente é um case study de se lhe tirar o chapéu – vejam o enunciado: Num dos países de mais baixo poder de compra da Europa, com taxa de desemprego elevada, um grupo chega ao poder prometendo resolver os problemas criados pelos governantes que o antecederam. O que faz? Reduz-se drasticamente o já diminuto poder de compra de trabalhadores e pensionistas, sonegando-lhes uma parte significativa do seu vencimento ou pensão e aumentando a carga fiscal. Que outro resultado se pode esperar senão falências em catadupa, aumento exponencial do desemprego e, consequentemente, da marginalidade. E vem o paradoxo: isto é governar e desenvolver? Ou será destruir o aparelho produtivo, desmantelar um sistema económico (errado) substituindo-o pelo caos?
Que problema se está a resolver? O do povo português? Não. Estamos a pagar uma dívida contraída por esta gente e pela sua clientela. Aqui está uma seta que nunca atingirá o alvo. A seta concebida por Zenão ia reduzindo a velocidade a metade; a seta do senhor Coelho move-se de marcha atrás.

