UM CAFÉ NA INTERNET – Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 15 – De Fátima a Caxarias (conclusão). Por Manuela Degerine.

Um café na internet 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De Fátima a Caxarias (conclusão)

 

 

 

Os últimos quilómetros desta etapa obrigam a caminhar à beira da estrada, ainda que sem riscos insensatos, por a esta hora os carros serem espaçados, atravessando um campo sem dúvida bonito, com – parece-nos – águas abundantes, casas de bela arquitectura, uma ou outra vez, moderna, hortas e quintais bem tratados embora, avançando pela beira da estrada, pouco disto nos apercebamos: os caminhos inserem-nos na paisagem enquanto a beira da estrada de tudo nos exclui.


            Este retorno a um Caminho já percorrido permite-me chegar a duas conclusões. A primeira é que, quanto à preparação para a caminhada, nunca há certezas. Em Santiago de Compostela, há apenas dois meses, pensei ter-me desembaraçado das bolhas nos pés, ora em Julho, com as mesmas botas, vejo-me agora, mais uma vez, cada serão, às voltas com o frasco de Betadine e a caixa da Compeed. (E, não obstante o cabelo, o chapéu, as precauções: com uma queimadura no pescoço.)


          A segunda conclusão foi Heráclito de Éfeso, o filósofo grego pré-socrático, quem a tirou: nunca passamos duas vezes no mesmo sítio. O espaço muda, nós mudamos, fazemos outros encontros, outra é a estação do ano – e portanto: o mesmo não é o mesmo. Agora conheço o trajecto, estou acompanhada, transporto uma mochila leve. E, durante a semana, segunda, terça, quarta e quinta, em pleno mês de Julho, avistamos menos gente do que em Novembro, quinta, sexta, sábado e domingo, quatro dias que incluem o fim-de-semana. No Outono havia pessoas a apanhar azeitona à beira da estrada, com as quais conversei algumas vezes. Em Julho encontrámos, perto de Fátima, uma família a apanhar batatas – para comer e vender – mas, no resto do percurso, atravessámos um território vazio. (Muito bonito, aliás, mesmo no Verão.) 

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