AVENIDA DA POESIA – Casimiro de Brito, Gastão Cruz e Celso Emilio Ferreiro

 

 

 

 

 

 

Casimiro de Brito

 

( Loulé- 1938)

 

DA POESIA: ARS COMBINATORIA

 

Agrada-me pensar que o poema (o livro) que estou a escrever são vários poemas, tantos quantos os leitores que fizerem do meu texto, por um momento que seja, o seu espelho, um espelho côncavo ou convexo, nunca liso, um rio onde possam encontrar interpretações distintas e até opostas sobre o amor e a morte, o poder e o prazer, os sentidos da existência. Não sei quem disse que um poema era um fruto comido por mil bocas, um fruto intacto.

 

 

 

(Fragmentos de Babel seguido de Arte Poética”).

 

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Gastão Cruz

(Faro, 1941)

 

A VIDA DA POESIA

 

Hoje sei como se exprime a vida da poesia

com a sinceridade das emoções linguísticas

com que o mundo devasta e enche as nossas vidas

Aprendi a clareza das imagens fictícias

recolhidas na luz do corpo nu e vivo

entre os golpes orais errante desferidos

 

 

 

 

 

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Celso Emilio Ferreiro

 

(Celanova ,Ourense, 1912 – Vigo, 1979)

 

A POESIA É VERDADE

 

 

Un procura a verdade

por tódolos camiños, baixo as pedras,

nas raigames mais escuras das olladas,

máis alá das escumas i os solpores.

 

Busco a verdade en ti, rexa poesía

dos homes que labouran,

taito real das cousas

que están e son, anque ninguén as vexa.

Home total,

que vas e ves sin sombra polas rúas

e tes a túa verdade nos curutos

do mundo, no profundo da historia,

na esperiencia de un dia calisquera,

e non ves os paxaros nin as nubes

nin as lonxíncoas maus do vento dondo

que acariñan o mundo desde sempre.

Investiga a verdade do teu tempo

i alcontrarás a poesia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ILUSTRAÇÕES DE ADÃO CRUZ 

 

 

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