Este foi o Ano Europeu do Voluntariado e ontem foi o Dia Mundial do Voluntário. No fim de semana passado procedeu-se à recolha de alimentos para o Banco Alimentar.
Na imprensa muito se tem falado nisto. Sobretudo porque, devido à crise que o país atravessa, a pobreza aumenta e, pelo menos matar a fome tornou-se uma prioridade. O que não chega. Já se assiste ao aumento de roubos, de violência familiar, etc. E ao desemprego todos os males se associam.
O espírito da “caridadezinha” sempre me revoltou. A posição de quem tem que se sujeitar a receber uma esmola é de submissão. Mas também conheço pessoas que querem viver de subsídios – “ a Câmara não me dá uma casa”, “a Santa Casa não me dá dinheiro mas dá aos ciganos”, “o Centro de Emprego cortou-me o fundo de desemprego”. Não sei como chegámos a este estado de espírito mas chegámos.
E depois há os outros que, depois de uma vida de trabalho, têm reformas que não lhes permitem alimentarem-se adequadamente, nem ir comprar os medicamentos de que necessitam… Adiante.
José Gil, na “Visão” de dia 24 de Novembro chamou-nos a atenção para o facto de que “a entreajuda supunha uma igualdade fundamental entre os membros da comunidade. Muitas das actividades que se exercem sob a falsa ética da solidariedade escondem negócios inconfessáveis, boa consciência (do Estado e dos indivíduos) adquirida a baixo preço, álibis de uma “economia social” que, afinal, não transforma minimamente a economia real geradora das desigualdades que a primeira procura reduzir”…sendo preciso considerar “o outro não como um diminuído mas como alguém simplesmente humano com pleno direito de acesso a todos os direitos, inclusive ao direito de ser ajudado.” Às vezes sinto que voltamos ao espírito das “indulgências” da Idade Média: dão-se uns alimentos, contribui-se com algum dinheiro para qualquer instituição, compra-se o disco que reverte a favor da associação X, e ficam com a consciência tranquila…
Mas vamos ao título apontado: “Ajudamos os outros ou ajudamo-nos a nós próprios ?” Pesquisas recentes apontam para o facto de ao ajudarmos os outros activarmos, no nosso cérebro, o sistema límbico, aumentando os níveis de ocitonima ( associada a sentimentos de amor e afecto)e de dopamina (hormona do prazer), o que resulta numa sensação de relaxamento, serenidade e bem-estar. E mais, espanto dos espantos, isso vai fortalecer o nosso sistema de defesas, ficamos mais fortes do ponto de vista imunitário.
Afinal, ajudar os outros traz-nos este benefício! Dormimos melhor, temos menos “burn-out”, recuperamos melhor das doenças. Lá se vai o lado glorioso de quem, altruisticamente, pratica o bem!



