DIÁRIO DE BORDO, 9 de Dezembro de 2011


 

 

Hoje há uma reunião do Conselho Europeu em Bruzelas. Os chefes de Estado dos 27 países da União Europeia vão reunir-se e discutir as medidas a tomar para resolver a crise com que os seus países se debatem. Parece que as posições variam muito de estado para estado. Entretanto, fica-se com a ideia de que Angela Merkel quer um alargamento das políticas unificadas. Quer também que avancem entendimentos entre os 17 países da zona euro, independentemente das discussões entre os 27.

 

Não é difícil perceber que a Alemanha procura concretizar, no plano político, o ascendente que já detém no plano económico. E que a França, pela mão de Sarkozy, procura não perder o comboio. Por outro lado, a Inglaterra, que não pertence à zona euro, procura apenas manter as vantagens de pertencer à UE, sem sofrer os inconvenientes. Nem pensar que os interesses da City (que alguns chamam a maior off-shore do mundo) sejam afectados. Sem ir mais longe, observando apenas este trio, que disputa há séculos a primazia na Europa (até à primeira guerra mundial, a primazia no mundo), conclui-se que não vai haver entendimento.

 

Para além disto, quem acompanha mais de perto estes assuntos sabe que as decisões políticas na Europa, e não só, não dependem apenas dos governos, democraticamente eleitos (seja o que for que se entende por democracia) ou não. Que pensar da decisão da agência de notação financeira Standard & Poor’s de colocar sob revisão, logo de uma vez, os ratings de 15 países da zona euro? É mais que evidente que se trata de uma forma pressão. Nesses 15 países estão incluídas a Alemanha e a França, e outros 4 países com ratings AAA. A seguir a baixar esses ratings, baixarão os do FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira), e de outros organismos. E o preço do dinheiro e dos chamados produtos financeiros subiráem flecha. Ou será que alguém pensa que a Standard & Poor’s é um arcanjo vingador, que anda aí a punir os maus e relapsos, e a defender os bons? Só para os ingénuos.

 

Há semanas atrás, a Alemanha quis colocar um empréstimo no mercado e só o conseguiuem parte. Entretanto, nos países periféricos, os empréstimos são colocados. Muitas vezes aparecem mais interessados do que o necessário. Porque será? Será que os países periféricos são melhores pagadores? Talvez não. Mas que pagam taxas de juro mais altas (muito mais altas) lá isso pagam.

 

Que as situações de dívida criam problemas, não há dúvida. Para os devedores, porque para os credores, ficamem vantagem. Asleis sobre agiotagem existem há muito, para compensar os abusos. Seria bom que os 27 pensassem nisto. Sem acabar com a especulação financeira, não acabará a crise. E os governos continuarão com a austeridade, em vez de defenderem os seus povos. 

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