Carta a Cleo – Ethel Feldman

 

Ethel Feldman  Carta a Cleo

 

 

(Adão Cruz)

 

Publicado no Estrolabio em 24 de Janeiro de 2011

 

Urca, 1 de  Janeiro de 1991


Envio foto do  quadro como prometi. Note como o azul tí­mido se escapa. Amplie a imagem e  sinta. Feche os olhos devagar antes de voltar a olhar. Agora Cleo, respire por  mim que o vermelho ganhou corpo no meu corpo. Nele me desfaço. Se uma lágrima se  escapar nesse sentir que adivinho, deixe que ela ganhe o seu rosto sem medo,  abra a boca e sinta como é salgada. Assim, devagar Cleo , liberte-a por dentro,  como o amarelo fez com o vermelho nesse quadro que me respira. Deixe que o tempo  ganhe tempo. O roxo Cleo, é a distância que nos impediu de amar.

 

Amanhã parto em  viagem. Se pelo caminho encontrar uma árvore encarnada vou abraçá-la até que a  saudade ganhe outra cor.

 

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