1-A Epistemologia da Infância: Ensaio de Antropologia da Educação – por Raúl Iturra

Para Pierre Bourdieu,* meu colega de tantas jornadas de debate e formação de investigadores, trabalho que fez de nós amigos.

 

O falecimento de Celso Costa, em 18 de Outubro deste ano, fez-me lembrar as nossas conversas e dos

 trabalhos partilhados com a sua mulher, Maria Luiza Cortesão, desde 1984, em Alfândega da fé. Este original ensaio, é dedicado a ela dedicado a ela, Luiza. Entre os Zuharte Cortesão, se escreve de forma tradicional.

 

 

 

 

1. Introdução

 

Falar de epistemologia da infância acaba por ser um problema duplo: o problema da epistemologia como conceito que procura definir ou explicar a lógica das relações sociais; e o da infância, como processo de relações sociais de épocas conjunturais da vida de um ser humano em qualquer grupo social, cultura, hierarquia ou de qualquer classe social.

 

Não foi por acaso que o desafio me foi lançado. Já em 1997, já investigando sobre a infância, Manuela Ferreira afirmou “… este livro… permite desenvolver novas ideias no âmbito da sociologia, considerando o posicionamento social das crianças, das infâncias vividas, em particular as características experiênciadas e socialmente construídas, por forma a reflectir acerca das crianças como grupo social, com é que elas se adequam ao debate sociológico e que contributos é que este grupo traz para esse debate”.[1]

 

Manuela Ferreira fez uma profunda análise de um texto meu lançando-me um repto para continuarmos a falar da epistemologia. Não de uma epistemologia qualquer, mas a da infância. Difícil debate este no qual é necessário retirar autores, ou procurar escrever um tratado com a limitação de vinte páginas.

 

 


 

*Pierre Bourdieu convidou-me, como amigo e na minha qualidade de membro do CNRS, para a cerimónia de entrega da Medalha de Ouro pela sua obra. Solicitei uma cópia do seu discurso, que generosamente ofereceu à nossa Revista e que foi publicado no Nº2 da mesma, em 1994.

[1] Ferreira, Manuela, “Recensão de O Imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral”, in Educação, Sociedade e Culturas, N. 9, 1997, páginas 231 a 237, Afrontamento. A citação está retirada da página 237, último parágrafo. Também Manuela Malpique teve um importante contributo na formação do meu conceito de, quanto Manuela Ferreira fez nestas palavras que cito. Palavras que agradeço porque estimularam a minha pesquisa em mais três outros textos sobre a infância….e os que virão…

 

(Continua)

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