Elogio do Déficit – Paulo Ferreira da Cunha

 

 

Paulo Ferreira da Cunha  Elogio do Déficit

 

 

 

(Adão Cruz) 

 

Com as boas-vindas ao novo argonauta

 

 

 

Viva o desperdício que é o Poema

E viva o déficit que institui

Viva sua rima, metro e tema

E viva o Génio que só nele flui.

 

Viva mil anos vezes muitos mil

A Poesia que sem verba canta

Vergonha feia ao contável vil

Que tudo ignora dessa lida santa.

 

Não é leve canto este cantochão

É um rancor d’alma revoltada

Pois Poesia é Civilização

 

Orçamento é pouco mais que nada

Podemos passar fome da esganada

Mas sempre brilha a Luz no Coração.

 

 “Libiamo ne’ lieti calici”, um dueto da ópera La Traviata

 

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