5 -A Epistemologia da Infância: Ensaio de Antropologia da Educação – por Raúl Iturra

 

(Continuação)

Assim também é desenvolvida a ideia do bem comum num outro país, cujo ditador é também um membro do poder armado, de baixa auto estima pela sua origem social ser mestiça e não de sangue puro dos invasores vindos da Espanha, que acabam por retirar as terras que pertenciam aos nativos: um ditador da América Latina, que nos anos 70 do Século XX assassina um Presidente democrata e eleito pela via legal e constitucional. Este ditador é um mestiço oriundo do território Picunche de Chanco, Talca, Chile. Acaba por reorganizar a trama social da estrutura da hierarquia de classes sociais para poder derrubar as famílias mais antigas, proprietárias de terra e industrias. Transferiu esse poder para os seus subordinados, ou para investidores que apoiavam a sua economia, o poder político. Porém, exercia as suas represálias sobre os que considerava opositores à verdade, definida pelo seu poder político e as ideias dos grupos sociais abastados e internacionais que o apoiavam e mantinham para com ele e para com a sua família um tratamento preferencial. Tratamento esse que nunca esperou e nem conhecia, devido às suas origens:uma criança sem meios, pobre em recursos tanto intelectuais como materiais.

 

 Esta divagação, da história da família da Beira Alta para a vida de dois ditadores que mudaram a face da terra em grandes territórios geográficos e alinharam em ideias que mudaram o debate sobre a epistemologia, é apenas para poder entender que o que parece mais criminoso – o surgimento de ditadores -, acontece também com o comum das pessoas. Na casa onde observei a relação entre adultos e crianças, o não reconhecimento da existência dos pais como educadores competentes, passava pelo facto de os mais novos usarem bem uma língua diferente, enquanto os mais velhos tentavam manter a sua autoridade com pretensões de saberem mais e melhor do que os seus descendentes. Porém, epistemologia não é apenas um debate filosófico da origem inata, racional, empírica e dialética do saber, dos conceitos, da realidade e os seus factos. É uma metáfora teórica de académicos que se devem lembrar das formas como essa realidade é organizada e como é aprendida e transmitida entre gerações.

 

(Continua)

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