Obrigada ao Pedro
Pedro Godinho
Shostakovich against Stalin: The War Symphonies
“Eu recuso-me a acreditar que cada Russo seja um idiota. Cada um diz, eu não sabia… eu não sabia… eu não percebi… eu acreditava que Stalin… Nós éramos enganados… Quão cruelmente fomos enganados. Sinto raiva de tais pessoas. Claro que elas percebiam: elas devem ter percebido. Como poderiam não ter percebido que uma guerra estava a ser travava contra eles?”
Assim começa o filme-documentário realizado por Larry Weinstein, Shostakovich against Stalin: The War Symphonies, com a leitura por um actor dum texto escrito por Shostakovich.
Produzido originalmente em 1997, o filme exibido na Gulbenkian no passado dia 7 de dezembro foi a versão DVD de 2005, com 77 minutos.
Apesar da entrada livre, o Grande Auditório tinha menos de um quarto dos lugares ocupados – talvez porque jogando o Benfica para a Liga dos Campeões com os romenos do Otelul, à mesma hora no estádio da Luz, para muitos o Glorioso fosse outro e alhures.
Através de depoimentos e entrevistas com músicos, colegas e contemporâneos de Shostakovich, o filme de Weinstein pretende retratar a época desde os anos que precedem a II Grande Guerra até à morte de Stalin e as purgas e perseguições também artísticas.
A primeira censura pública, e perda de favores oficiais, em 1936, segue-se à exibição da ópera Lady Macbeth de Mtsensk (que ridiculariza e ataca a personagem-tirano) apontada no “Pravda” como formalista e primitiva.
Em 1948 voltou a ser acusado de formalismo e de fazer música trágica e burguesa e não conforme com a verdadeira estética socialista e revolucionária – o “realismo soviético” – e de, por essa razão, com outros ser um “compositor contra o povo” cujas composições não glorificavam o Grande Líder, o Estado soviético e as suas realizações.
Se Shostakovich teve prémios e condecorações e sinfonias como a nº 7 “Leninegrado” (1941) e a nº 8 “Stalingrado” (1943), respectivamente sobre a resistência aos cercos alemães de Leningrado e Stalingrado, obtiveram o reconhecimento do regime, outras como as sinfonias nº 4 e nº 9 foram censuradas e banidas, sendo descritas como afirmações de Shostakovich contra Stalin e a tirania.
Dmitri Dmitriyevich Shostakovich (Дмитрий Дмитриевич Шостакович): São Petersburgo, 25 (12) setembro 1906 – Moscovo, 9 agosto 1975.
Shostakovich – Sinfonia nº 4, 1º movimento
Shostakovich – Sinfonia nº 9, 3º movimento


