Por sugestão de um jornalista que leu a peça anterior que publicámos no blog sobre a relação entre o período que antecedeu a tomada do poder de Hitler e o período que atravessamos agora, aqui vos deixo um desenvolvimento ao nosso post a dar-lhe um grande enriquecimento e a aumentar o nosso desprezo, no mínimo, face a todos aqueles que claramente são os responsáveis pela tragédia que se está a abater sobre esta nossa Europa e que pelos políticos ignorantes que a dirigem está a ser tão mal tratada.
Júlio Marques Mota
Sobre Incógnitas que se desconhecem [1]
Benjamin Anderson, economista do Chase Bank de 1920 a 1939, escreveu sobre dois grandes erros que se cometeram na década de 1930, no seu livro que muito recomendamos, Economics and the Public Welfare: A Financial and Economic History of the United States, 1914-1946.
A 12 de Maio de 1931, “deu-se numa corrida inesperada ao Oesterreichische-Credit-Anstalt”, um grande banco austríaco. Deve ser aqui referenciado: (1) Oesterreichische-Credit-Anstalt foi forçado a uma fusão com um banco mais fraco em 1929. Isso pode ser análogo à aquisição de Countrywide Financial pelo Bank of America e (2) citando Anderson: “. O governo austríaco garantiu alguns dos investimentos” (Oh, as garantias governamentais, de novo!), Mas “o banco resultante da fusão estava inadequadamente financiado… a grande instituição assim criada estava ainda insolvente.” Exactamente da mesma maneira como se está a passar hoje na Europa: qual é a qualidade do crédito (garantia) do fiador? A maior parte das garantias de um Estado soberano são as receitas fiscais futuras. Da Grécia até os Estados Unidos, esta situação não inspira hoje confiança.
A 14 de maio de 1931, o Banco Internacional de Pagamentos coordenou o suporte financeiro dado pela cooperação internacional… mas o efeito foi mau quando onze bancos centrais apenas forneceram um total de 5,6 milhões de dólares. Os credores ficaram ainda mais assustados e não menos como deveria ter acontecido.Se as coisas fossem feitas como o deviam ter sido, o apoio financeiro deveria ter sido feito de forma adequada. O primeiro princípio nos empréstimos bancários numa situação de crise é que se o mutuário precisa de 100.000 dólares para ser salvo, então deve-se-lhe dar mesmo os 100.000 dólares ou então não se lhe dá nada. Ninguém deve então dar 20.000 dólares. “
Aqui, como se descreve acima, é onde os EUA (hoje) pode hiper-inflacionar à vontade, enquanto a Europa está está em dificuldades, contida, condicionada.. Mas voltemos a Anderson e a 1931:..”As situações de pânico não são eficazmente tratadas através de sucessivos atrasos, através de sucessivas discussões públicas e através da luta por uma posição de domínio Um empréstimo de 25 milhões feito de forma imediata e ao primeiro sinal de pânico provavelmente teria chegado para resolver a situação de pânico. Chegou um momento em que já nem 100 milhões de dólares chegavam para acabar com a situação de pânico. Entretanto, o governo austríaco em 29 de Maio [1931], votou a garantia de 150 milhões de dólares e o crédito do governo austríaco foi de tal forma abalado que já ninguém se importava com a garantia.Quando a 6 de Junho de 1931, o Banco Internacional mde Pagamentos se organizou para dar um… crédito de 100 milhões de shillings. [14 milhões de dólares – FJS] para a Áustria, o desastre financeiro austríaco era já de tal monta que este apoio foi assim de muito pouca ajuda..
Os bancos alemães sofreram uma corrida a 1 de Junho de 1930. ” Na Alemanha e no início da corrida aos bancos, mais uma vez se verificou o esforço de cooperação e de ajuda financeira do sistema bancário internacional. Mas, de novo, 100 milhões de dólares prontamente providenciados através de uma acção concertada de bancos britânicos, americanos e franceses e também publicamente anunciados e rapidamente disponibilizados poderiam ter parado a crise. Um mês depois, 500 milhões dólares já não foram de forma nenhuma suficientes.. “
Havia questiúnculas: “É típico da forma de ser dos franceses e da tradição francesa que uma imediata aceitação de um contrato proposto pela outra parte é coisa que está fora de questão… a França atrasou, a França demorou tanto tempo.. O povo alemão assim como os credores estrangeiros estavam já envolvidos na corrida aos bancos alemães. ” A França não foi o único culpado. Anderson critica também os banqueiros de Nova York por ter sido dada uma resposta muito tímida e demasiado tarde também.
Este não foi o fim para os bancos alemães. Houve reuniões publicamente muito divulgadas entre as autoridades governamentais assim como as proclamações oficiais que se arrastaram até 1932: como as cimeiras sobre o Euro de agora.. Havia a eterna esperança de que a reconstrução [reestruturação] da dívida alemã (e as repatriações de guerra) poderia tudo isto ter gerido, controlado, mas isto não aconteceu.. Anderson observou que “os governos se movem lentamente e que os políticos olham para as próximas eleições (literalmente: ele estava confiante nos participantes).” E Anderson concluiu: “Se os governos tivessem actuado convenientemente naquele inverno, Hitler nunca teria chegado ao poder e nós deveríamos ter assim salvo o regime democrático da Alemanha.” Esta era uma ingónita desconhecida, an unknown unknown.
Excerto de U.S. Exposure to Europe – Unknown Unknowns, Frederick J. Sheehan, disponível em Aucontrarian.blogspot.com, datado de 12 de Dezembro de 2011.
[1] Referência a Donald Rumsfeld e às suas Unknow Unknows..
