UM CAFÉ NA INTERNET – OS MEUS MESTRES – por Dorindo de Carvalho – Apresentação

 

Acabei de inaugurar uma exposição de pintura no Museu da Água / Reservatório da Mãe d’ Água nas Amoreiras.

 

A propósito da exposição que intitulei de «Os Meus Mestres», diria que não existe arte sem influência. É normal ter um Mestre directo, quero dizer, um Mestre com quem se trabalhou ou foi nosso professor e de quem recebemos as maiores influências. O meu caso assim não é. As influências a que estive exposto ao longo da construção dos meus trabalhos, situam-se, mesmo que o não queira, ou não o assuma, em momentos precisos da história da pintura, a história dos meus próprios Mestres que viveram imprimindo a marca de uma existência criadora, e não a qualquer Mestre directo ou próximo.

 

Não é frequente um artista prestar tributo aos seus Mestres, dada a tendência em considerar a sua obra um acto de criação original, uma obra executada na sua íntima plenitude, no entanto eu quis homenagear aqueles que de uma maneira ou de outra me marcaram conduzindo- me a novas propostas e novos caminhos. Agora, neste conjunto de telas, numa explosão abstraccionista, em que uma composição de formas geométricas irregulares, os gestos e as linhas num fundo negro perfazem uma polícroma expressividade, e de onde surgem evocações de muitas obras-primas impondo ao quadro o seu manifesto estético.

 

Mas nem só na pintura considero que tive Mestres. Não foi só Picasso, Leonardo da Vinci, Vermeer, Goya, Francis Bacon, Kandinski, Portinari, Botticelli, Valerio Adami e tantos outros, que foram meus Mestres. Mestres foram aqueles de quem recebi ensinamentos nas mais diversas áreas das artes e da «arte» de pensar e de viver. Porque não prestar o meu tributo a alguns ou a tantos, que directa ou indirectamente se cruzaram em meu caminho fornecendo-me exemplos?

 

A alguns mais conhecidos, e a outros não tanto, irei prestar a minha homenagem em escritos aos com quem convivi de perto, como por exemplo Heitor Gomes Teixeira, Fernando Namora, José Gomes Ferreira, José Saramago, David Mourão Ferreira, José Cardoso Pires, Fernando Bragança Gil, e aos que, através dos seus livros, do cinema, do teatro, da música e noutras áreas, os considero igualmente OS MEUS MESTRES.

 

Proponho-me assim escrever, (não pintar) se possível ilustrar e publicar, rebuscando na minha memória, algo sobre algumas dessas figuras da História (ou da minha história) que habitam em mim.

Leave a Reply