A LENDA DE SÃO JULIÃO HOSPITALEIRO DE AMADEO DE SOUZA-CARDOSO E GUSTAVE FLAUBERT por Clara Castilho

la legende se saint julien

A ida à Exposição na Gulbenkian trouxe-me a oportunidade de comprar alguns livros a preços bastante acessíveis.

E fiquei maravilhada com este livro, publicado pela Assírio e Alvim e pela própria Fundação, em 2006, uma ilustração” de Amadeo de Souza Cardoso sobre a obra de Flaubert.

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Consta que em 1877, Gustave Flaubert publicou um pequeno volume intitulado Trois Contes, correspondendo  a sua última obra acabada. O segundo conto chama-se “La Légende de Saint Julien l’Hospitalier”., tendo sido escrito entre 1875 e  1876.

Amadeo de Souza-Cardoso copiou a pincel e ilustrou este livro, na sua versão original, durante um período que passou na Bretanha no Verão de 1912. É considerado um “exemplar único-original”. Quando o pintor expôs em 1916, no Porto e em Lisboa, ao referir-se aos seus últimos 20 Desenhos, Amadeo faz referência a este trabalho.

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 A obra é apresentada pela professora Maria Filomena Molder, Professora Catedrática do Departamento de Filosofia, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, membro do Instituto de Filosofia da Linguagem, U.N.L., do Conselho Científico do Collège International de Philosophie, Paris. Diz a analista: “É  preciso assinalar o notável trabalho de copista-calígrafo de Amadeo e tirar as devidas consequências. A sua familiaridade com o texto é demonstrada pela total ausência de hesitação na restituição das palavras e das frases, sem erros de acentuação ou pontuação, pela exactidão da sequência: não há uma palavra ou frase reduzida ou aumentada de tamanho para que o final de uma folha se  prossiga para o início da outra, não há qualquer solução de continuidade adhoc. Estes argumentos não esgotam, no entanto, o teor completo que Amadeo tem do conto de Flaubert. É que ele não segue sempre a regra de iniciar cada página com um parágrafo – o que teria sido possível, dado que a mancha do texto caligrafado não é homogénea -, escolhendo muitas vezes o segundo ou o terceiro, o penúltimo ou o último período de um parágrafo, e interrompendo mesmo no meio de um período, depois de um ponto e vírgula”.

“On vivait en paix depuis si longtemps que la herse ne s’abaissait plus; les fossés étaient pleins d’herbe; des hirondelles faisaient leur nid dans la fente des créneaux; et l’archer qui tout le long du jour se promenait sur la
courtine, dès que le soleil brillait trop fort, rentrait dans l’échauguette, et s’endormait comme un moine. »

Um livro muito interessante.

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