Diário de bordo de 29 de Dezembro de 2011

Estamos a dedicar ao estudo da democracia um espaço importante do nosso blogue e, em Janeiro, concluído o Concurso de Blogocontos, iniciaremos um amplo debate sobre um tema tão importante. Porém, nem todos devem saber que existe um «campeonato mundial de democracia», ou seja, um ranking abrangendo 167 países.

 

Quem o patrocina é a revista semanal britânica The Economist, publicada por “The Economist Newspaper Ltd”. De dois em dois anos, a Economy Intelligence Unit – instituto ligado à revista, organiza um ranking dos índices de democracia verificados em cada país. Os factores de ponderação são cinco – processo eleitoral e pluralismo, liberdades civis, funcionamento do governo, participação política e cultura política.

 

O objectivo é que o Índice de Democracia – Democracy Índex – observe, examine e avalie, o estado de desenvolvimento e consolidação da democracia nos 167 países abrangidos pelo estudo. Segundo a pontuação obtida, os países são classificados em “democracias plenas”, “democracias imperfeitas”, “regimes híbridos” (todos considerados democracias) e “regimes autoritários” (considerados ditatoriais).

 

O ranking de 2010 era liderado pela Noruega, seguindo-se a Islândia, a Dinamarca e a Suécia. Os Estados Unidos estavam em 17º lugar e Portugal em 26º. Os restantes países de Língua Portuguesa estavam assim classificados: Cabo Verde em 27º lugar; Timor Leste em 42º lugar; o Brasil em 47º lugar; Moçambique em 99º lugar; Angola em 131º lugar e a Guiné-Bissau em 157º lugar. Em 2011 Portugal e Cabo Verde trocaram posições – Cabo Verde em 26º e Portugal em 27º. passou de “democracia plena” a “democracia imperfeita”. Há cinco anos, Portugal estava em 19º lugar. Perdeu de então para cá oito lugares. E, de facto, a democracia em Portugal tem vindo a degradar-se de ano para ano. Se a avaliação for rigorosa, vamos por certo baixar ainda mais neste verdadeiro campeonato mundial da democracia. Democracia imperfeita é designação benévola… Talvez Democracia virtual.

 

No entanto, esta avaliação e a respectiva classificação valem o que valem – The Economist é visto como publicação inglesa muito ligada aos interesses norte-americanos – como se jogássemos futebol (o Association, o verdadeiro a que os americanos chamam depreciativamente soccer) com as regras daquela trapalhada a que chamam futebol americano. E, por falar em futebol, no ranking da FIFA estamos mais bem classificados, em 7º lugar. À nossa frente só Espanha, Holanda, Alemanha, Uruguai, Inglaterra e Brasil.

 

Também não se pode ser bom em tudo…

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