GUERRA COLONIAL – 2 – por José Brandão

(Conclusão)

 

Moçambique foi o teatro de operações onde morreram mais militares em combate (1.569 em 10 anos de guerra), seguindo-se Angola (1.360 em 13 anos) e a Guiné (1.342 em 11 anos). Tendo em conta a duração da guerra em cada um dos teatros de operações, as tropas portuguesas sofreram por ano 157 mortos em combate em Moçambique, 122 na Guiné e 105 em Angola.

 

Quanto ao número total de mortos, independentemente das causas oficiais da morte, as Forças Armadas portuguesas sofreram por ano 285 baixas mortais em Moçambique, 246 em Angola e 186 na Guiné.

Do total de mortos nas três guerras, cerca de 70 por cento eram expedicionários recrutados na chamada Metrópole. No conjunto das três frentes de guerra, entre 1961 e 1974, morreram em média 630 militares portugueses por ano.

 

Em números redondos, morreram nas três guerras de África: 1 general, 2 brigadeiros, 3 coronéis, 15 tenentes-coronéis, 22 majores, 100 capitães, 40 tenentes, 300 alferes, 900 sargentos e furriéis, 1.600 cabos e 5.500 soldados e marinheiros.

 

E se os custos humanos foram de grandes dimensões para um pequeno velho país de menos de 10 milhões de habitantes, as perdas materiais atingiram um nível muito próximo do colapso económico. O esvaziamento dos recursos financeiros para a sustentação da guerra foi equivalente, ao longo dos treze anos de conflito armado, a uma média de trinta e três por cento do Orçamento do Estado, tendo-se ultrapassado, em toda a segunda metade da década de 60, os quarenta por cento.

 

Com a Revolução do 25 de Abril de 1974 estavam criadas condições para terminarem as guerras que Portugal mantinha desde 1961.

 

Contudo, já depois do 25 de Abril ainda morreram nos três teatros de guerra 530 militares portugueses, 159 dos quais em resultado directo de acções de combate.

 

Embora, na metrópole, a intervenção popular tivesse assegurado profundas e imediatas repercussões para o 25 de Abril, as transformações ocorridas em Lisboa não provocaram alterações súbitas na maior parte do disperso Império Português.

 

Portugal foi o último país europeu a conservar um autêntico império colonial.

 

Em 1951 transformara as colónias em territórios ultramarinos e, em 1956. intitulou-as províncias, mas sem mudar praticamente a estrutura anterior. O Ministério das Colónias passou a chamar-se do Ultramar e em dezenas de organismos oficiais e empresas particulares o vocábulo colonial foi substituído por outro um pouco mais longo: ultramarino.

 

O governo português, ao considerar os territórios africanos como parte integrante da nação, negava que eles pudessem ter direito à autodeterminação ou que existisse uma nacionalidade angolana, guineense ou moçambicana.

 

Porém, em 1961, a revolta em Angola assinalou o começo da guerra de guerrilhas que se estenderia à Guiné e a Moçambique. Esta guerra, onde o exército português se consumia ano após ano, foi uma das causas determinantes da Revolução Portuguesa de 25 de Abril de 1974 que derrubou o regime corporativo do Estado Novo.

 

Apesar de raramente registarem vitórias decisivas, a guerra das forças de guerrilha conseguiu criar a confusão suficiente para exigir de Portugal o envio de milhares de soldados para África e o dispêndio de algo como metade do orçamento estatal nessa colossal presença militar.

 

Portugal manteve entre 1961 e 1973 uma média anual de 105 mil homens envolvidos nas três guerras coloniais: aproximadamente, 54 mil em Angola, 20 mil na Guiné e 31 mil em Moçambique. Os efectivos no conjunto dos três teatros de guerra foram sempre crescendo de 1961 a 69, baixaram ligeiramente em 70, aumentando de novo para chegar aos valores mais elevados em 1973, quando atingiram o total de 148.090 homens.

 

Quando chega o 25 de Abril de 1974 Portugal é um país cansado de tanto caminhar para terras distantes e por lá morrer.

 

Regressada a liberdade, Portugal não podia negar essa mesma liberdade aos povos que a reclamavam de armas na mão. Em consequência das alterações ocorridas em Portugal, as colónias africanas portuguesas acederam à independência entre o termo de 1974 e finais de 1975.

 

Ficava para a História mais uma página da presença de Portugal no Mundo.

 

 

 

Leave a Reply