Homenagem à Professora Elza Paxeco

Em 6 de Janeiro de 1912, nascia na cidade brasileira de São Luís do Maranhão, Elza Fernandes Paxeco

Machado; filha de Manuel Francisco Paxeco, cônsul de Portugal no Maranhão, e de Isabel Eugénia Fernandes Paxeco . Passa hoje o primeiro centenário sobre o seu nascimento. Não sei se em mais outro espaço, a não ser no nosso blogue, esta efeméride será referida. Filóloga e ilustre investigadora luso-brasileira, em Portugal, nem no Brasil parece ser recordada. E havia bons motivos para que o fosse, para que se tivessem organizado debates, sessões solenes, reedição crítica da sua obra…

Estudou em universidades do Brasil, de França, da Grã-Bretanha (Gales e Londres) de Portugal (Lisboa), formando-se aqui em Filologias Românica e Germânica. Foi aprovada com Honours Summa cum laudes, e em Língua e Literatura Inglesa – Master of Arts. Foi a primeira mulher a doutorar-se pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1938, sendo a sua dissertação doutoral aprovada por unanimidade dos membros do júri. Viria, entre 1940 e 1948, a ensinar nesta faculdade como leitora de francês (Fevereiro de 1940 a Outubro de 1948), quando foi exonerada a seu pedido; leccionou igualmente as cadeiras de Literatura Francesa e de Língua e Literatura Inglesas.xxx A FLUL devia recordar e celebrar o centenário da sua primeira doutora!

Integrou júris de admissão ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. Não apenas por esse motivo, mas principalmente pela investigação que levou a cabo sobre temas estruturais da língua e da literatura portuguesas, o Estado português devia recordá-la e homenageá-la. Não o fez.

Foi sócia correspondente no nosso país da Academia Maranhense de Letras e a Associação das Academias Brasileiras de Letras também a nomeou sua representante em Portugal. Que saibamos, as academias brasileiras também não recordaram a data.

Casou com o filólogo José Pedro Machado, com o qual viria a colaborar em diversos trabalhos.

Alguns aspectos da poesia de Bocage (1937). Acerca da tragicomédia de Dom Duardos (1937).  Essai sur l’oeuvre de Samain (1938) Graça de Júlio Dinis (1939). O mito do Brasil-Menino (1941). Camões e Elisabeth Barrett (1942). Negação dupla em português (1944). Um dos últimos trabalhos de Hércules (1944) Aucassin e Nicolette. Lisboa, Minerva, 1946.Estudos em Três Línguas (1948). Da Glottica em Portugal (1948).Cancioneiro da Biblioteca Nacional (Leitura, comentários, notas e glossário), em colaboração com seu marido, José Pedro Machado. [3] (1949-1964). Galicismos Arcaicos (1949).

 

Deixou colaboração dispersa por numerosas publicações nacionais e estrangeiras de entre as quais se destacam as revistas da Faculdade de Letras de Lisboa, Brasília, de Coimbra , Revista das Academias Brasileiras de Letras, do Rio de Janeiro, Revista de Portugal, Ocidente e outras.

Elza Paxeco morreu em Lisboa em 28 de Dezembro de 1989. Era mãe do nosso João Machado.

4 Comments

  1. João, querido amigoConheci o teu pai, não tive a honra de conhecer a tua mãe; só hoje, por causa da tua modéstia, comecei a conhecê-la.A partir de agora, vou-te dar cabo da cabeça até que me proporciones a leitura de alguns textos da tua mãe, nomeadamente «Acerca da tragicomédia de Dom Duardos», pelas razões que adivinharás.Um abraçoAntónio

  2. Olá amigo João,Sinto-me honrado, em saber algo sobre sua mãe. Estou em São Luís e recetimente recebemos com muita honta outra grande mulher denominada Maria Rosa Pacheco Machado. Informo ao amigo que os documentos, paramentos e outros títulos de Manuel encontram-se no museu da maçonaria maranhense, todos doado por guarda de Maria Rosa Pacheco Machado. Caso queira entrar em contato comigo, será uma honta. Obrigado.

  3. Através dos meus contactos pessoais, as Academias brasileiras recordaram, e recordam a minha Mãe, Elza Paxeco, e o seu nome fez parte de uma exposição sobre mulheres maranhenses célebres. Desde 2009 que me movimentei para que o seu nome figurasse no Centenário da FLUL, em 2011. Fui à Reitoria fotocopiar os processos, levei textos, fotografias, tudo o que me foi pedido. No final, não houve dinheiro para uma exposição, nem para um álbum… Muito triste.
    Felizmente, para o Centenário de meu Pai, todas as Instituições que contactei me atenderam.

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