Aos 91 anos, o pintor, arquitecto e ensaísta Nadir Afonso é o protagonista de uma tripla homenagem, a decorrer este fim-de-semana no Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto. A sessão de lançamento do livro Nadir Afonso conversa com Agostinho Santos junta-se à estreia do filme Nadir Afonso – O Tempo não Existe, de Jorge Campos, e à inauguração da exposição fotográfica Nadir Afonso – No Tempo e no Lugar, de Olívia da Silva, que dão a conhecer a vida e a obra do mestre.
O livro Nadir Afonso conversa com Agostinho Santos será apresentado por João Fernandes, director do Museu de Serralves, no sábado, dia 7 de Janeiro, pelas 16:00 horas, no Salão Nobre do TNSJ.
Em Nadir Afonso conversa com Agostinho Santos, o jornalista do Jornal de Notícias e artista plástico dá voz à «radiografia inacabada» do percurso pessoal e artístico de Nadir Afonso. Resultado de intermináveis horas de conversa, o livro desafia a linearidade do tempo e a rigidez das fronteiras geográficas: «Viajamos por Chaves, passamos pelo Porto, deambulamos por Paris, aterramos no Rio de Janeiro e em S. Paulo, e regressamos a Cascais, aos dias de hoje, que, com um normal cansaço, ainda são passados a pintar, que é, afinal, o que Nadir mais gosta de fazer.»
A obra inclui dois textos inéditos de Nadir Afonso, escritos recentemente («A relatividade e a ilusão do tempo» e «A exactidão matemática»), e uma breve perspectiva fotobiográfica.
Nadir Afonso nasceu em Chaves, em 1920.
Diplomou-se em Arquitectura na Escola de Belas-Artes do Porto. Em 1946, estudou Pintura na École des Beaux-Arts de Paris; através de Portinari obteve uma bolsa de estudo do governo francês. De 1946 a 1948, e novamente em 1951, foi colaborador do arquitecto Le Corbusier, e serviu-se algum tempo do ateliê de Fernand Léger. De 1952 a 1954, trabalhou no Brasil com o arquitecto Óscar Niemeyer. Nesse ano, regressou a Paris, retomou contacto com os artistas orientados na procura da arte cinética, desenvolvendo os estudos que denomina Espacillimité.
Na vanguarda da arte mundial, expôs, em 1958, no Salon des Réalités Nouvelles. Em 1965, Nadir Afonso abandonou definitivamente a Arquitectura e acentuou o rumo da vida exclusivamente dedicada à criação da sua obra.
Prémio Nacional de Pintura em 1967 e Prémio Amadeo de Sousa-Cardoso em 1969. Condecorado com o grau de Oficial (1984) e de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2010). Jorge Campos realizou os filmes Nadir e Nadir Afonso: O Tempo não Existe.
Está representado nos museus de Lisboa, Porto, Amarante, Rio de Janeiro, S. Paulo, Budapeste, Paris, Wurzburg, Berlim, entre outros. Uma retrospectiva comissariada por Adelaide Ginga foi apresentada no Museu Nacional de Soares dos Reis e no Museu do Chiado. Doutor Honoris Causa pela Universidade Lusíada.
Autor de vasta obra de reflexão, publicou: La Sensibilité Plastique, Les Mecanismes de la Création Artistique, Aesthetic Synthesis, Universo e o Pensamento, O Sentido da Arte, Da Intuição Artística ao Raciocínio Estético, Sobre a Vida e Sobra a Obra de Van Gogh, As Artes: Erradas Crenças e Falsas Críticas, Nadir Face a Face com Einstein, Manifesto: O Tempo não Existe, Reflexões: O Trabalho Artístico.
Aos 91 anos, continua a pintar. Foi convidado para ilustrar a capa do 147.º aniversário do Diário de Notícias, assinalado no passado dia 29 de Dezembro de 2011, com um inédito de O Rapto de Europa.
Como afirma em Nadir conversa com Agostinho Santos, gostaria de ficar conhecido «como um pintor que realmente encontrou as leis que regem a obra de arte».

