Temos obras que tipificam o critério da poícia política naqueles anos finais do regime – desde as obras que, da perspectiva da ditadura, tinham justificação políitica para ser apreendidas, até às que o eram pela missão de zeladora pelos «bons costumes» que a polícia também estava incumbida de desempenhar. E outras eram proibidas apenas por serem de determinado autor.O José Vilhena desenhador, artista plástico, cartoonista, era “cliente” habitual da PIDE – os seus álbuns vendiam-se clandestinamente. Com alguma carga pornográfica, José VIlhena não perdia uma oportunidade para ridicularizar o regime. Neste caso da “Branca de Neve e os 700
anões”, para além da história que contava, havia uma alusão a Américo Tomás, com a sua farda branca de almirante. surgira uma piada popular que designava o presidente e o seu séquito por «Branca de Neve e os sacanões» e terá sido desse dito que Vilhena partiu para mais um álbum proibido.
Escritores como Cardoso Pires ou o menos conhecido Papiniano Carlos, eram também vítimas sistemáticas destes ataques pidescos. Ridícula, a apreensão do livro de Guy de Maupassant. Aqui tratava-se de minar economicamente a Europa-América. Na generalidade, os restantes livros inscrevem-se na tipologia editorial condenada à apreensão. Já referimos como eram vendidos os livros proibidos. Uma ampla rede de livreiros antifascistas, como o Luís, da LER ou o Barata, assegurava o escoamento dos volumes que houvessem escapado. As coisas funcionavam.


