A GRANDE POESIA – “Floresta porque tremes?” – Mihai Eminescu

Um Café na Internet

 

 

 

 

Quadro de Vladimir Kush

 

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Mihai Eminescu

 

Floresta, porque tremes?

 

Floresta, porque tremes,?

Não chove, o vento não uiva,

Nem te estremece  a ramagem.

– Como posso não tremer
Se o meu tempo  está a findar!

Morre o dia, nasce a noite
E fenecem os meus ramos.

Nas folhas velhas um sopro gélido
os meus cantores afugenta;

com o seu hálito outonal 

Parte o Verão ,chega o Inverno
como não hei-de tremer
vendo as aves abalar
E pelo céu gélido passam

os bandos de andorinhas,
com elas vão meus sonhos

e ficam  os pensamentos
Uma a uma vão voando

e o dia  noite se faz
nos instantes que me fogem
num bater de asas fugaz.
E eu fico desamparada
tremendo fria, gelada
Meus sonhos foram com as aves
e toda a minha alegria
voou para longe também.

Ce te legeni?…

– Ce te legeni, codrule,
Fara ploaie, fără vint,
Cu crengile la pământ?
– De ce nu m-as legana,
Daca trece vremea mea!
Ziua scade, noaptea creste
Şi frunzisul mi-l rareste.
Bate vintul frunza-n dunga
-Cintaretii mi-i alunga;
Bate vintul dintr-o parte –
Iarna-i ici, vara-i departe.
Şi de ce să nu mă plec,
Daca pasarile trec!
Peste virf de ramurele
Trec în stoluri rindunele,
Ducind gindurile mele
Şi norocul meu cu ele.
Şi se duc pe rând, pe rând,
Zarea lumii-ntunecind,
Şi se duc ca clipele,
Scuturind aripele,
Şi mă lasa pustiit,
Vestejit si amortit
Şi cu doru-mi singurel,
De mă-ngin numai cu el!

 

 

Mihai Eminescu (1850-1889) é considerado o poeta nacional da Roménia. Os seus poemas estão traduzidos nas principais línguas. Em português há algumas traduções, nomedamente em português europeu.

 

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