LIVROS PROIBIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS DA DITADURA – 11 – por José Brandão

 

 

A perversão do sistema censório, prevertia as mentes dos editores e as dos leitores. Para

muitos editores, sobretudo os mais pequenos, a edição transformou-se numa actividade de sniper. Surgia uma obra que se previa ir provocar a intervenção policial e muitas vezes não se cuidava de verificar a qualidade. As traduções eram feitas às vezes em maratonas, horas, dias de trabalho, e com uma revisão rápida ou sem qualquer revisão, fazia-se o livro. As tipografias, de acordo com a lei, eram responsabilizadas pelos livros que executavam – por militância ou por descuido (não lendo o que faziam), os volumes eram feitos rapidamente. Os clientes muitas vezes compravam porque o livreiro lhes vinha entregar o livro já embrulhado, sinal de que era coisa de escacha pessegueiro… todos os que vivemos essa época, Têm nas sua bibliotecas, a par de preciosidades vendidas por esse sistema, livros que nunca foram lidos.

 

Nesta lista de dez, os tais exemplos de livros que uma censura inteligente não proibiria – Chéri, de Colette é um livro ousado, mas não é um livro subversivo. Obviamente, Os Cinco Artigos de Mao-Tse-Tung, é uma obra com conteúdo revolucionário. O editor sabia que o livro ia ser apreendido e já vimos como se ultrapassava essa dificuldade. Porém, autores, editores, tipógrafos, estavam sempre sujeitos a ser presos e a pagar a sua ousadia de atiradores furtivos em meses de prisão e de tortura. Era um jogo que implicava riscos.

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