A GRANDE POESIA – “Na morte de um jovem” – Joan Maragall

 

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

Joan Maragall

 

 

Na morte de um jovem

 

 

 Partiste naquele tão doce entardecer 

Caíste, lutador, ao ir à luta.

Sorrias à força dos teus músculos,

ansiavas por guerras e coroas,

e de súbito, esvaías-te na terra

com os olhos atónitos.

 

Ai, morte, quanto, quanto embelezas!

Quando lançaste o teu primeiro véu

sobre  o herói em flor, um sorriso

quebrou os prantos, e uma profunda calma

foi invadindo o peito e o rosto

do moribundo. A respiração ia e voltava

suavemente preguiçosa… Eclodiram

mais fortes os prantos ao Céu..Ele já não estava..

Lá fora, no campo, o ocaso explodia em doçura…

 

 

(Tradução de Carlos Loures e Josep Anton Vidal) 

 

Joan Maragall

 

En la mort d’un jove

 

 Te’n vas anar amb aquell ponent dolcíssim…

Caigueres, lluitador, al marxar a la lluita.

Somreies a la força dels teus muscles

i glaties per guerres i corones,

i tot de cop t’has esllanguit per terra

amb els ulls admirats…

  

 

Ai, la Mort, i que n’ets d’embellidora!

Aquell teu primer vel, quan el llençares

damunt de l’hèroe en flor, tots somriguérem

sota els plors estroncats, que una serena

va començar a regnar en el pit i el rostre

del moribond. L’alè anava i venia

suaument emperesit… Llavors esclataven

més alts els plors al Cel… Ell ja no hi era… 

Pro a fora, al camp, era un ponent dolcíssim…

 

 

(1895)

 

 

Joan Maragall (Barcelona, 1860 – 1911) – Um dos maiores poetas de língua catalã.  Entusiasta e teórico do iberismo, teve contactos com intelectuais portugueses que comungavam desse projecto de federação das nações ibéricas.

 

 

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