Desindustrialização, Globalização, 3ª Série – 3ª Parte- A China na Europa, da cidade de Prato na Itália à SAAB na Suécia. Por Júlio Marques Mota.

 

4. De Ricardo a Stuart Mill, ainda outra aula para um ministro de ignorante disfarçado

 

(Continuação)

 

 

Anexo


Uma aula prática

 

A análise de um sector: a indústria automóvel europeia na economia global

 

A globalização, a desindustrialização: um olhar sobre a indústria automóvel

 

  1. 5000 Supressões de emprego: PSA paga a degradação da sua nota e também a sua muito afirmada independência

Concept-car Peugeot SXC, o último desenhado na França?


O duche é mais frio do que o que os sindicatos temiam antes da reunião do Comité de empresa de PSA que foi hoje realizado. De acordo com a CGT e CFTC, Peugeot-Citroen deve despedir quase 5000 postos de trabalho em França sobre os 6800 planeados em todo o mundo. Além dos fins de missão de muitos trabalhadores temporários e das supressões de postos entre empresas subcontratadas, que podem atingir os 2500 o efectivo permanente do grupo, deve também ele ser largamente atingido. De acordo com os delegados sindicais, 1000 lugares desaparecerão em locais de produção francesa e 500 pessoas adicionais no único departamento de investigação e desenvolvimento do grupo. Finalmente, 400 postos de trabalho estão também igualmente ameaçados outros serviços auxiliares, como os serviços de marketing.

 

Philippe Varin a gerir  o efeito de surpresa

 

Este efeito de surpresa é organizado pelo Presidente de PSA que acaba de inventar um plano de despedimentos fraccionado. História de gestão do suspense e das susceptibilidades. Porque Philippe Varin começou a sua campanha de anúncios desde o mês de Setembro, em plena semana do salão automóvel de Frankfurt, Alemanha. Excepto que nesse momento, numa entrevista dada ao Fígaro, ele apenas evocava “uma redução dos custos necessários para fazer face à desaceleração das vendas”. Sem precisar, é claro, a natureza das reduções em questão. Um mês mais tarde, nova ofensiva. O dirigente de PSA evoca supressões de postos de trabalho em França, mas estas dizem respeito apenas aos trabalhadores temporários e aos que em 2012 estão de partida para a situação de reforma e que não serão substituídos. O que tranquiliza o ministro, Eric Besson. O Ministro da Indústria, depois de uma reunião com Philippe Varin em 26 de Outubro, fica incomodado, na sequência de um comunicado onde ele confirma que “conforme os compromissos que haviam sido assumidos em Setembro, nenhum plano de partida voluntária tinha sido encarado até à data”. Espera-se, portanto, a sua reacção depois deste novo episódio. Mesmo se é conhecida a pouca influência de um comunicado ministerial sobre a decisão da empresa. O Estado não é accionista da PSA, como o é ainda no caso da Renault. Além disso, os empréstimos concedidos para a indústria automóvel, após a primeira crise de 2008 estão agora liquidados.

 

Despedimentos para acalmar os mercados e permanecer independente

 

Naturalmente, toda a gente se questionava se este plano de economias em 2012 de 800 milhões de euros que PSA quer fazer no próximo ano, não é antes um plano de conforto, destinado a tranquilizar os mercados financeiros, mais do que uma necessidade real. As duas hipóteses, na verdade. As famosas agências de rating também fiscalizam as empresas e Moody’s degradou a nota da Peugeot-Citroën há já alguns meses atrás. A razão invocada? Sessenta por cento do volume de negócios do construtor é produzido na Europa. Exactamente na Europa, onde, precisamente, as vendas vão mal. Precisamente, onde os carros que se vendem são os pequenos modelos e de baixo custo, de baixos níveis de taxas de lucro. E no final do ano os lucros deve ser igualmente menores. Porque na China, países onde se apagam as dívidas de fabricantes globais, PSA está na cauda. Citroen, um dos primeiros fabricantes presentes neste mercado, falhou a sua expansão no Império e perdeu nas suas quotas de mercado, embrionárias na década 90, a favor de concorrentes alemães, japoneses e coreanos que souberam melhor do que a Citroen explorar o filão no decorrer dos anos 2000…


Especialmente, PSA é um pequeno fabricante, com duas marcas generalistas apenas, enquanto grupos poderosos, como Volkswagen, cobrem todo o mercado, desde o segmento de luxo com Audi (que se está a portar muito bem), até à muito acessível marca SEAT. E, em seguida, PSA paga hoje a sua independência. Na era em que todos os grandes fabricantes globais se reagrupam (Fiat e Chrysler é a última aproximação em data), a família Peugeot (sempre com 30,3% como accionista) recusou sempre as alianças que lhe foram propostas por vários concorrentes, desde a BMW à Mitsubishi, passando pela Fiat. Certos assalariados da fábrica de Aulnay Sous Bois, Vélizy e Sochaux correm o risco de não lhes dizer muito obrigado.

 

(Continua)

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