Desindustrialização, Globalização, 3ª Série – 3ª Parte- A China na Europa, da cidade de Prato na Itália à SAAB na Suécia. Por Júlio Marques Mota.

 

4. De Ricardo a Stuart Mill, ainda outra aula para um ministro de ignorante disfarçado

 

(Conclusão)

 

 

DOIS CHINESES QUATRO ESTRELAS

 

Este Organismo Europeu independente, que procede a testes regulares e estabelece a sua respectiva notação aos carros que os fabricantes lhes apresentarem, emitiu agora uma nota sobre dois modelos chineses de quatro estrelas em sua escala de cinco. Uma classificação que não significa de modo nenhum que serão a Geely Emgrand CE7, uma berlina nascida na província de Zhejiang e MG6 projectado em Xangai, vão rolar pelas nossas estradas imediatamente. Porque o Euro NCAP não lhes pode dar-lhes a aprovação de vistos necessária à venda em série.

 

Geely Emgrand CE7.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os testes independentes são mais severos do que oficiais

 

Mas esta nota (boa) marca certamente o fim das preocupações de ordem material de que estavam conscientes os fabricantes de República Popular da China até agora. Porque as notas que esses carros receberam são semelhantes às que tiveram o Fiat Panda, Jaguar XF e Renault Fluence ZE. Três carros que circulam já e legalmente, claro. E porque os testes realizados nos laboratórios da EuroNcap são, para alguns deles, mais severos do que os que são usados para fins de declaração de conformidade de um veículo pelo European Enhanced Safety Vehicle Committee (EEVC) que emite a autorização para circular r. Para o teste de colisão frontal, por exemplo, a velocidade escolhida pelo laboratório independente é definida como 64 km/hora, ou seja mais 8 km/h do que o teste oficial. Face a esta prova e a estas quatro estrelas, os técnicos encarregados de homologar os carros antes de sua entrada no mercado deverão mesmo homologá-los.

 

 

É, portanto, uma luta de mais de cinco anos que está a chegar ao fim, com uma vitória chinesa. E, para o poder económico deste país, tem-.se mesmo o direito de perguntar como ela pode levar tanto tempo. ” Muito simplesmente porque os fabricantes chineses interessados nem sequer estavam muito interessados na Europa, estavam muito sim muito ocupados com o seu mercado local”.

 

 

Isto é Elizabeth Young, que o diz. E ela sabe do que está a falar. Presidente de Asie Auto, sociedade francesa importadora de carros chineses, ela diz-nos que está pronta, e já tem uma rede de 140 representantes espalhados em todo o território. “É o governo que assumiu a liderança para ajudar os fabricantes”. Um governo que recriou no local um laboratório de testes naturalmente rebaptizado de C-Ncap. Este retomou ponto por ponto os testes do seu homólogo Europeu e convidou as marcas locais para testarem os choques frontais com os seus modelos para os preparar para o banho europeu. O que foi feito e com sucesso.

 

CARROS A METADE DO PREÇO

 

A contagem decrescente relativamente à homologação está pois iniciada, resta saber se o sucesso estará na ordem do dia. A imagem dos produtos fabricados na China não é a melhor. E em matéria de automóvel, o conceito de segurança é mais essencial do que para um brinquedo ou para um smartphone. Mas vimos neste último domínio, os dois modelos chineses estão de igual para igual com a Renault, Fiat e a Jaguar. E, depois, existem alguns elementos todos eles saídos directamente da ficha técnica de Geely Emgrand CE7. Um motor de 138 CV, equipamentos como se estivesse a chover, quatro airbags, um tamanho como o do Renault Laguna e um preço estimado de 12600 euros. Quanto custa o seu rival Laguna com idêntica potência? 24800 Euros.

 

 

O automóvel a nível mundial- Outlook

 

Em 2012, as vendas de automóveis nos países emergentes ultrapassará as compras no mundo desenvolvido, o que acontecerá pela primeira na história do automóvel pela primeira vez. Nós projectamos que a venda de automóveis nos países em desenvolvimento vá aumentar em cerca de 7% em 2012, subindo para 31 milhões de unidades e a exceder o volume d carros vendidos nos mercados já maduros da Europa Ocidental, América do Norte e Japão. Uma década atrás, as nações em desenvolvimento representavam menos de 20% das vendas de automóveis a nível global.

 

 

Existem preocupações crescentes que a actividade económica vá desacelerar na China no próximo ano, devido à queda das suas exportações para a Europa Ocidental e também devido às políticas de crédito na China a ficarem mais restritivas., relativamente ao ano passado. No entanto, a economia da China tem feito transformações significativas nos últimos anos, com as exportações agora a representarem apenas um quarto da actividade económica global chinesa, contra os 36% que as mesmas representavam em 2006. Estima-se que a Europa Ocidental continue a ser o maior exportador em termos de embarques para a China. Contudo, a região responde por apenas 4% da actividade global da economia chinesa. Em contraste, o investimento e o consumo representam mais de 80% do PIB global na China e continua a avançar a um ritmo de dois dígitos. Em particular, as compras de automóveis irão crescer devido e na linha do crescimento do rendimento disponível nas cidades, especialmente, especialmente nas cidades do litoral e centro da China. Na verdade, o crescimento do rendimento disponível nas cidades acelerou para 15% ano no terceiro trimestre contra uma média anterior de 12 % na última década. O crescimento do rendimento é mais forte nas províncias de Anhui, Fujian e Hainan, ultrapassando mesmo o crescimento em de Pequim e Xangai.

 

 

Os carros de luxo estão a liderar as exportações para a China, sobretudo com compras de Mercedes-Benz, BMW e Audi com um crescimento de 34% em relação ao ano passado, ultrapassando mesmo os volumes no mercado chave que é o dos Estados Unidos. De acordo com a McKinsey, a China deverá ter mais de 4 milhões de famílias a serem consideradas ricas – com rendimento anual acima de 250.000 yuans em 2015. Isto coloca a China em quarto lugar na classificação global, atrás dos Estados Unidos, Japão e Reino Unido. Enquanto o número das famílias ricas neste momento representam ainda menos de 1% dos domicílios urbanos chineses, este segmento está a crescer 16% ao ano.

 

 

A Índia foi o segundo país com maior aumento de vendas de automóveis na última década, com as vendas a aumentarem de 11% ao ano para um valor recorde de 1,97 milhões este ano. Apesar do forte crescimento, a penetração do automóvel permanece entre as mais baixas no mundo pois situa-se apenas 17 veículos por 1.000 pessoas. A Índia também goza de uma vantagem demográfica especial – é uma das populações mais jovens do mundo – metade de seus 1,2 mil milhões de habitantes têm menos de 25 anos. Além disso, as Nações Unidas estimam que a população da Índia em idade activa – dos 15 aos 64 anos de idade – vai crescer em cerca de 131 milhões durante a próxima década. Isso representa 27% do aumento da população em idade activa a nível mundial e é mais do que dez vezes o aumento esperado para a China. As compras foram dinamizadas ao longo do ano passado com um acréscimo de quase 4 pontos percentuais no aumento do financiamento para a aquisição de automóvel, um desenvolvimento que aumentou significativamente o custo de um veículo novo e levou muitos potenciais compradores a adiarem a sua compra. Como resultado, a taxa de crescimento da compra de carros por recurso ao crédito reduziu-se para metade relativamente ao ano passado.

As vendas de carros no Brasil também foram prejudicadas em 2011 pelo aumento das taxas de juro – cerca de 70% dos compradores de automóveis pedem financiamento para a sua aquisição.

 

 

No entanto, as taxas de juros caíram 2,5 pontos percentuais desde o seu pico em Agosto e a demanda interna está a crescer, apoiada também por uma baixa taxa de desemprego. Espera-se que as vendas de automóveis no Brasil aumentem de 4% no próximo ano, atingindo-se assim um volume recorde de 2,8 milhões de unidades. O governo também reduziu os impostos para estimular o crescimento económico e para reforçar a competitividade. O Brasil também vai continuar a receber um grande impulso económico através do investimento directo estrangeiro. Os fabricantes de automóveis liderados por Fiat e por Volkswagen, planeiam investir mais de 19 mil milhões em de dólares no Brasil até 2015.

 

E a terminar vale a pena olhar para as produções mundiais e assim como para a sua evolução e não fiquem com os olhos amarelos ou em bico:

 

 

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