Estamos a realizar um debate sobre o rumo que pretendemos para a nossa democracia. Justificando a pertinência desse debate, vêm hoje a lume os resultados de um inquérito, segundo o qual apenas 56% dos portugueses consideram que “a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo”.
Trata-se de um estudo sobre “A Qualidade da Democracia em Portugal: a Perspectiva dos Cidadãos”, da autoria de António Costa Pinto, Pedro Magalhães, Luís de Sousa e Ekaterina Gorbunova Os dados mais pormenorizados serão divulgados hoje à tarde num colóquio no Instituto de Ciências Sociais, em Lisboa. A amostra tem 1207 inquiridos e o trabalho de campo decorreu em Julho de 2011. Este primeiro estudo foi elaborado para o Barómetro da Qualidade da Democracia.
Estamos com grande curiosidade em conhecer de que modo se dividem as opiniões dos 44% negativos. Recusarão a Democracia? Ou apenas este sistema formalmente democrático que nos governa? Daremos toda a atenção ao colóquio desta tarde, embora a nossa crença em inquéritos e sondagens seja muito reduzida, sabendo-se como, quase sempre, à partida os resultados são determinados pelo universo escolhido. Valendo o que valem, constituem, pelo menos, motivo de reflexão.
Merece também a nossa atenção o facto de bloquistas e alguns deputados do PS terem assinado um pedido de fiscalização ao Orçamento de Estado. A constitucionalidade do documento é posta em causa. O líder da bancada parlamentar Socialista já se demarcou da iniciativa. O que demonstra que o PS não tem uma linha estratégica definida. E que há mais do que um PS, o que desde há muito se sabe.
E terminamos este registo diário, chamando a atenção para as leis que o Congresso dos Estados Unidos estava prestes a aprovar e que permitiriam que seus funcionários censurassem o acesso a qualquer site em todo o mundo. Uma petição com mais de um milhão de assinaturas, impediu ou adiou que esse odioso projecto fosse por diante. Ainda estão a ser recolhidas assinaturas. Aqui:
http://www.avaaz.org/po/save_the_internet_action_center_b/?vl
Uma coisa é criar leis que impeçam a internet de ser a selva onde tudo cabe. A net é um meio de divulgação do conhecimento e ao mesmo tempo um sistema de intoxicação e de desinformação onde só se pode perguntar se soubermos a resposta. Outra coisa é permitir que centrais e agências de informação – americanas, chinesas, ou de onde quer que sejam, escolham não entre a verdade e a mentira, mas entre o que lhes é ou não politicamente conveniente.
A Democracia é um valor a preservar. Tudo depende do conceito de democracia que defendemos.

