A França é um país que, ao contrário de Portugal, oferece grande diversidade no ensino das línguas estrangeiras. Actualmente quase todos os alunos estudam Inglês como primeira língua viva (LV1), Espanhol como segunda (LV2) e, os que aprendem uma terceira (LV3), podem optar por Português, Chinês, Italiano, Japonês, Alemão, Russo, Árabe, Hindi… Et caetera.
Há cerca de vinte anos, os alunos que não se inscreviam em Inglês LV1, eram quase todos atraídos pelo Alemão e constituíam as turmas de elite pois, fazendo na sua maioria parte da classe média alta, não ignoravam a importância da escola, portanto provocavam menos incidentes disciplinares; por outro lado, as famílias não se descartavam deles na escola, não só os educavam, também os instruíam, proporcionando-lhes lazeres educativos, habituando-os a ler, levando-os ao teatro, a museus, a concertos, a exposições, o que fatalmente se reflectia nos resultados escolares. Digamos que era o fenómeno da escola privada dentro da pública, uma estratégia muito subtil que os franceses continuam a dominar. Os alunos que escolhiam Árabe ou Português LV1 constituíam as turmas de imigrantes; e nas reuniões muitos professores diziam “os portugueses” em vez de “os alunos de Português”. “A Dúvida e o Riso” narra uma história passada no ambiente bizarro de um liceu que tem uma professora e três turmas de Português LV1…
Entretanto o Alemão perdeu o apoio de que beneficiou no pós-guerra, as famílias francesas inventaram novas estratégias para garantir o sucesso dos filhos e, por outro lado, as autoridades ministeriais passaram a apostar no Português (ou no Árabe) para todos e não apenas para os filhos de imigrantes, por conseguinte o alemão, o português e o árabe passaram a ser estudados como segundas ou terceiras línguas: o inglês venceu aqui a batalha da LV1.
Mas no ensino das línguas, como na geopolítica, as vitórias são efémeras…

