A Europa da Cultura a ser laminada pela austeridade – III. Selecção e tradução por Júlio Marques Mota.

 

(Continuação) 

 

 

A cultura para apoiar o emprego La culture pour soutenir l’emploi:

 

Numa Europa que dobra a coluna vertebral, a Suécia é uma excepção. Se a crise também a atinge, as finanças públicas em condições saudáveis permitem-lhe aplicar uma política de austeridade bem calculada de que a cultura não sofre – disso o governo se felicitou citando, por exemplo, os países vizinhos. 2012, o orçamento para a cultura (excluindo a comunicação) atingiu 720 milhões EUR, ou seja 11 milhões a mais do que em 2011 (+ 1,6%), mantendo a cultura aproximadamente a mesma parte do orçamento total (0,82%) ou do PIB (0,19%) do que no ano passado. Tradicionalmente, o sector cultural sueco recebe 25% do seu financiamento do Estado, 31% das regiões, 24% das comunas e autofinancia-se em cerca de 20%.

  

Neste país onde o desemprego tem tendência a manter-se num nível relativamente elevado, o governo decidiu reservar 29 milhões de euros em 2012 (86 milhões em três anos) para subsidiar 4 400 postos de trabalho num projecto do património cultural (inventário, restauração, digitalização). Trata-se de uma medida destinada a combater o desemprego de longa duração cuja factura será efectivamente paga pelo Ministério do Mercado de Emprego. Isso não impediu que apareça como um componente do orçamento da cultura. O ministério também promove acções de apoio à Moda e ao Design sueco no estrangeiro na óptica bem evidente de querer promover as exportações.

 

Olivier Truc (Stockholm, correspondance)

 

Os artistas trabalham com os meios disponíveis

 

O caso particular de Portugal

 

Desde as eleições de Junho e do retorno da direita ao poder deixou de haver um Ministério da Cultura, mas um Secretário de Estado ligado ao primeiro-ministro. A pasta foi confiada ao escritor Francisco José Viegas. A cultura não escapa a cura de rigor, e os socialistas já a tinham iniciado. “No nosso caso o orçamento é inferior a 400 milhões de euros e nunca excedeu 0,3% do orçamento do Estado”, afirma Tiago Bartolomeu Costa, jornalista do Público diário.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Em 2012, as empresas e os espectáculos subvencionados perderão 38% da ajuda, e o imposto sobre as actividades culturais deve passar de 6% para 13%, excepto para os livros,”, acrescentou.


Não fomos capazes de obter dados mais exactos sobre o orçamento em 2012, junto da Secretaria de Estado para a Cultura. Um sentimento de incerteza domina. No campo do cinema, o realizador Pedro Costa resumiu a situação: “Para mim, isso não vai mudar muito, sempre fiz os meus filmes sem dinheiro”. “Mas penso nos jovens cineastas que tentam fazer a sua primeira longa-metragem”.

 

Cl.F.

 

(Continua)

 

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