A Europa da Cultura a ser laminada pela austeridade – IV. Selecção e tradução por Júlio Marques Mota.

 

(Conclusão)

 

Espanha

 

O mundo cultural espanhol sofreu as consequências da crise desde há dois anos. O orçamento do Ministério da cultura passou de 1,4 mil milhões de euros em 2010 para 1,3 milhões até 2011. Em 2010, este mesmo orçamento já tinha sido reduzido de 100 milhões de euros a partir de 2009. Consequência: um regime drástico em todos os sectores. A programação dos museus recebeu 213 milhões em vez de 229. O cinema sofreu um corte de 10 milhões de euros em subsídios (em cerca de 123). A música e a dança perderam 15 milhões em 122: um oitavo dos montantes atribuídos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A nível das regiões e das comunidades territoriais, protagonistas essenciais da política artística, a situação é ainda mais dura. O orçamento da cultura da Catalunha, por exemplo, foi reduzido de 15,6% em 2011, enquanto o orçamento total apenas tinha diminuído de 10%. As consequências fizeram-se sentir toda a parte. O festival de cinema de Valência, a Mostra de Valência, que tem já trinta anos de história, foi suspenso porque a Câmara Municipal não tem os meios para investir 1, 7 milhões de euros; idem para o festival de teatro alternativo Valência Escena Oberta, que precisa de 600 000 euros. O Festival Mar de Musicas de Carthagèna passará de uma duração de três semanas para uma semana apenas depois de perder o subsídio da região de Múrcia. Na Andaluzia, o governo regional também suprimiu o seu subsídio para o Festival de cinema espanhol de Málaga e o Festival de Cinema Europeu de Sevilha

 

 

Sandrine Morel (Madrid, correspondance)

 

Grécia

 

O Orçamento do Ministério foi cortado de 22% em 2011. Uma diminuição de créditos e do número de prestadores de serviços levaram a reduções das horas de abertura em vários sítios arqueológicos – a começar pela Acrópole – e o fecho de várias salas do Museu Arqueológico de Atenas, durante o Inverno e uma parte da Primavera. “Há severos cortes no orçamento das exposições como no sector das artes do espectáculo, em especial no teatro, ópera, dança e música”, reconhece que o Ministério da Cultura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De repente os artistas gregos ganham o hábito de não aguardar indefinidamente os subsídios que chegam a conta-gotas. O cinema é um excelente exemplo.

 

Cineastas como Yorgos Lanthimos (Canine, Alpes) e Rachel Athina Tsangari (Attenberg) mostram que se trata não porque eles não tenham muito dinheiro que eles não têm nada para dizer ou para mostrar. Os seus filmes foram recompensados nos maiores festivais de cinema de todo o mundo.

 

É em condições acrobáticas que os organizadores da Bienal de Atenas, de 23 Outubro a 11 de Dezembro, puseram em prática o seu projecto de “Monodrome”, que combina obras contemporâneas e mais antigas para interrogar a crise que atravessa o país. «Não se sabe se iremos receber subsídios, mas pretendeu-se mesmo assim fazer a exposição, explica um dos directores da Bienal, a artista PokaYio, porque a cultura tem questões a levantar e respostas a dar sobre a crise.»» (Atenas, correspondência)

  

(Continua)

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