Inquirem os leitores… Para quê estudar três línguas?
É uma pergunta que na verdade me fazem em Portugal, onde muitos pensam que apenas importa estudar Inglês, já que por esse mundo toda a gente o fala. Há todavia inúmeras circunstâncias em que falar outras línguas se revelará indispensável, não para viajar, claro, pois quem trabalha na indústria do turismo se adapta profissionalmente às línguas dos clientes, mas para trabalhar, para estudar, para viver, para namorar… Tentem vender em Espanha falando inglês, tentem trabalhar em França falando inglês, tentem pisgar alguma coisa da China ou da Rússia ou da Indonésia falando inglês… Depressa verão o resultado.
As nossas vidas não se passam ao abrigo de fronteiras, habitamos um mundo aberto, toda a gente reparou, por conseguinte todos precisamos de falar línguas estrangeiras. Quantas mais, melhor: mais oportunidades se abrirão à nossa frente, mais variada e complexa será a nossa percepção da realidade. Quem aposta apenas no inglês obtém resultados não raro decepcionantes, no futuro será ainda pior, pois outras línguas se hão-de impor: o chinês, claro, o hindi, talvez, o espanhol, ainda, o francês, idem… O império americano declina, todos compreendemos isto, daqui em diante os Estados Unidos pesarão, como a União Europeia, pelas vantagens tecnológicas que consigam manter, pelo sonho americano que os há-de ainda promover… Não nos alegremos com este declínio, muito pelo contrário, esperemos que declinem lentamente, pois a hegemonia americana é nossa parente, enquanto a hegemonia chinesa – por exemplo – há-de impor valores muito distintos. Sou europeia na vida real e em todos os sonhos, nunca delirei com os drive in, os thrillers, os hamburgueres, o american way of life… (Não ignoro que os Estados Unidos são isto e mais do que isto, mas na cidade de Lisboa encontro Mc’Donalds e não campus universitários americanos.) Porém o que será o ideal de vida chinês? Visto daqui parece-me um pesadelo.
A verdade todavia é que não falo chinês… E, se não falamos uma língua, não podemos corrigir as imagens caricaturais que – com frequência – os meios de comunicação nos apresentam: não somos livres de pensar.

