O Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia (GAMNA) lançou uma carta aberta na sequência da não recondução do director da entidade, Luís Raposo, decisão que recebeu com “surpresa e indignação”.
Em declarações à agência Lusa, Maria do Sameiro Barroso, da direcção do Grupo de Amigos, revelou que a carta aberta deverá ser enviada na próxima semana aos grupos parlamentares com assento na Assembleia da República.
O GAMNA reúne cerca de 800 membros que se organizam voluntariamente para promover conferências e outras iniciativas ligadas ao museu, instalado no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e que contribuem anualmente para um fundo de apoio à entidade.
“Recebemos com surpresa esta decisão, porque o Estado não invocou uma só razão que pudesse servir ao menos para tentar fundamentar o facto, e com indignação, porque também não lhe negou o mérito profissional enquanto director”, apontou Maria do Sameiro Barroso.
A “Carta aberta à República Portuguesa” – assim se designa o documento – pretende também, segundo a direcção do Grupo de Amigos, levantar uma reflexão: “Que futuro queremos para os nossos Museus Nacionais? Ali está guardada a memória histórica da nação”.
Luís Raposo, que trabalha no MNA há 30 anos, 16 como director, teve conhecimento do despacho da tutela de não recondução no cargo há cerca de uma semana.
O actual mandato termina no final de Janeiro e o responsável deverá manter-se em funções até Março.
Não se conformando com a decisão do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), organismo da Secretaria de Estado da Cultura que tutela os 28 museus e cinco palácios nacionais, Luís Raposo anunciou no sábado que irá “proceder administrativamente no sentido de requerer a anulação do despacho”.
O GAMNA, segundo Maria do Sameiro Barroso, considera que Luís Raposo “tem feito um trabalho exemplar no museu e possui as qualidades necessárias para o dirigir, sobretudo numa altura em que há dificuldades não só de espaço, mas também de meios financeiros”.
O director do IMC, João Brigola, considerou na semana passada que a não recondução de Luís Raposo é “uma situação normal”, e que “não significa necessariamente uma avaliação negativa do seu desempenho”.
Recordou que no ano passado não foram reconduzidas as directoras do Museu de Aveiro e a dos Museus da Cerâmica e José Malhoa, nas Caldas da Rainha, tendo sido aberto concurso, o que também acontecerá com o MNA.
Luís Raposo é presidente eleito do ICOMOS Portugal (Conselho Internacional de Museus) e representante, também eleito, da Rede Portuguesa de Museus no Conselho Nacional de Cultura.
