Diário de bordo de 25 de Janeiro de 2012

 

 

Hoje fazem anos Eusébio e o general Ramalho Eanes – parabéns a ambos.

 

Quem não está de parabéns é Sarkozy que, apesar de todas as piruetas que tem feito, mantém-se nas sondagens muito atrás do outro candidato às eleições presidenciais. O socialista François Hollande leva-lhe 14 a 19 pontos percentuais de vantagem. E embora se preveja a passagem de Sarkozy a uma segunda volta, prevê-se também a sua derrota na votação final. Numa sondagem divulgada dia 21, Hollande  totaliza 30% das intenções de voto na primeira volta, contra 23% para Sarkozy. No entanto, na segunda volta, a diferença prevê-se que seja ampliada: Hollande venceria com 57% dos votos, enquanto Sarkozy obteria 43%. Ainda que em França, o presidente em exercício sempre tenha obtido na primeira volta o maior número de votos, Sarkozy, parece ir ser uma excepção. Malhas que o sistema tece…

 

O debate que estamos a realizar sobre o rumo que desejamos para a Democracia está a chegar ao termo. A expressão «desejamos», não significa que tenhamos a estulta ideia de que vamos chegar a um consenso quanto a um tema tão controverso. Antes da Revolução de Abril, nas comissões eleitorais da Oposição, convivíamos, os antifascistas, numa base de unidade contra a ditadura. Mas era já muito visível que conceitos como Liberdade e Democracia não eram comuns a todos os que militavam nessas comissões. A única coisa que nos unia era o objectivo de derrubar a ditadura do Estado Novo.

 

Talvez se justifique recriar Comissões Democráticas. Por certo que os conceitos de democracia são diferentes – mas numa coisa estaremos de acordo. Não há democracia neste sistema em que apenas temos o direito de eleger quem nos governe (na prática, escolhendo entre duas hipóteses, em que cada uma é pior do que a outra). E nem se trata de recuperar a Democracia.

 

Não se recupera o que nunca se teve.

 

 

 

 

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