O Eurointelligence Daily News de ontem traz-nos uma nota sobre Espanha: o FMI prevê que o nosso vizinho terá grandes dificuldades para cumprir as metas do défice fixadas para a zona euro. Para evitar uma recessão brutal, recomenda-lhe que dê prioridade a evitar a recessão sobre o cumprimento daquelas metas. É de seguir com atenção este caso, e comparar com o que vai sucedendo em Portugal, onde o cumprimento das metas do défice (para além de se evitar recorrer a alternativas para reduzir o défice que não o corte de salários e benefícios sociais) é uma vaca sagrada.
Entretanto, o embargo ao Irão provoca um aumento considerável dos preços do petróleo. Quais os países europeus mais afectados? Grécia, Espanha, Itália e Portugal, claro. Será de se pensar um pouco no cenário seguinte: e se fossem a Alemanha, a França ou até o Reino Unido, os países mais afectados? Estes têm acesso a fontes alternativas ao petróleo do Irão, como a energia nuclear (esta, é verdade, julga-se não ser vantajosa, devido aos custos e aos perigos que acarreta), o petróleo do Mar do Norte, gás natural vindos dos territórios da ex-URSS, e outros. Se não fosse assim, provavelmente não haveria embargo ao Irão.
Parece entretanto que os CDS (Credit Default Swaps) estão, em relação a Portugal, a ver a sua cotação subir vertiginosamente. A subida deste seguro de crédito é um indício de instabilidade, por que traduz a falta de confiança no mercado financeiro. Este sistema de seguro parece também ser muito permeável a manobras financeiras, como as que estivaram na origem da crise iniciada em 2008 (e que parece arrastar-se indefinidamente). Mares cada vez mais revoltos, portanto, diante da nossa barca.
Por outro lado, parece que, em França, Nicolas Sarkozy, ao que dizem, está a ficar pessimista quanto à sua reeleição. O problema, frisa-se, é a alternativa. A equipa de François Hollande não diz nada que constitua um indício seguro de mudança clara. Pelo contrário, alguns, sem dúvida que amantes dos nomes sonoros, dizem estarem a trocar Keynes (1883 – 1946) por Schumpeter (1883 – 1960), que acham mais inovador. Entretanto, crescem as intenções de voto em Marina LePen, candidata da extrema direita. Quem se apresentar pela direita, na segunda volta, parece continuar a ter boas hipóteses. E, para além disso, que hipóteses de mudança real é que há? O desemprego em França continua a crescer assustadoramente.

