Uma Escócia independente em 2014?

 

 

“Diziam que não voltaria a haver um Parlamento escocês, e há. Diziam que nunca ganharíamos as eleições, e ganhámo-las em 2007. Que nunca teríamos a maioria absoluta, e temo-la. Agora dizem que nunca ganharemos um referendo para a independência. Quem sabe!”

 

   Alex Salmond, líder do SNP, primeiro-ministro do governo da Escócia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A libertação do domínio britânico do Reino Unido (da Inglaterra, na prática) e reposição da independência da Escócia é uma aspiração antiga de vários movimentos políticos e cidadãos escoceses.

 

A nação escocesa, enquanto Reino da Escócia, foi independente durante centenas de anos, pelo menos desde a unificação em 843 até à sua absorção em 1707 pela Inglaterra (que já incluía Gales), formalmente pela fusão de ambos os reinos e parlamentos no Reino da Grã-Bretanha e mais tarde, em 1800, com a anexação da Irlanda, no Reino Unido.

 

Aquela medida foi fortemente impopular e contestada, a ponto daquele tratado ter sido assinado em segredo pelos signatérios escoceses, dada a revolta e tumultos em Edimburgo, a capital escocesa.

 

As forças nacionalistas escocesas não se conformaram com a perda da soberania e mantiveram viva a ideia de autodeterminação e independência.

 

As significativas vitórias eleitorais do Partido Nacionalista Escocês (SNP), atualmente maioritário no parlamento autónomo escocês (reinstaurado no quadro da chamada transferência de competências realizada pelos trabalhistas em 1997), e a sua plataforma de candidatura, repôs na agenda a realização dum referendo nacional sobre a independência da Escócia.

 

Movimento que acompanha a reivindicação de graus superiores de autogoverno e de demonstração de capacidade própria de gerir os respectivos interesses e destino. Que poderá revestir uma opção pelo confederalismo, em igualdade de situação com as outras nações do atual Reino Unido.

 

Em 2010 o Partido Nacionalista Escocês, então minoritário, apresentou uma proposta de referendo sobre a independência da Escócia antes das eleições de 2011, que acabou por retirar por não ter conseguido obter o apoio dos outros partidos parlamentares.

 

O SNP apresentou-se, então, às eleições de maio de 2011 indicando que promoveria o referendo sobre a independência, se reeleito. Nessas eleições obteve uma maioria absoluta de 69 deputados (mais 23 que nas eleições de 2007 nas quais já tinha aumentado em 20 os de 2003) num total de 129.

 

Em janeiro de 2012, o governo escocês do SNP anunciou pretender realizar o prometido referendo no outono de 2014, data na qual se celebram os 700 anos da histórica vitória das tropas escocesas sobre as da Inglaterra na batalha de Bannockburn.

 

 

Pressionado pelos acontecimentos, o governo britânico de David Cameron mostrou abertura para permitir a realização dum referendo mas impondo determinadas condições – com uma pergunta única (sim ou não à independência) e já em 2012 – pensando haver assim maior possibilidade de derrotar as forças nacionalistas concicto que a maioria da opinião não é atualmente favorável à independência e que a situação de crise económica também dificultará ao SNP aumentar o apoio àquela.

 

Os nacionalistas escoceses recusam que lhes sejam impostas condições. Além da pergunta (sim ou não) sobre a independência querem acrescentar uma terceira opção conhecida como “devo-max” ou autonomia máxima, que daria aos escoceses um controlo total sobre sua política tributária, incluindo as receitas de gás e petróleo e excluindo o IVA. “Esta é a decisão mais importante que os escoceses vão tomar em três séculos. É totalmente inaceitável que os conservadores queiram impor condições a este referendo sem nenhum tipo de mandato para fazê-lo”, afirmou Alex Salmond.

 

 


Flor da Escócia (Flower of Scotland)


Flower of Scotland é uma canção patriótica que exalta as paisagens da Escócia e a vitória dos escoceses contra o domínio inglês e o exército do rei Eduardo no final do século XII e começo do século XIII, durante a chamada “Primeira Guerra de Independência”. Foi composta por Roy Williamson, em 1967, e interpretada pelo seu grupo The Corries.

 

 

Na segunda parte da canção ressalta a esperança de voltar a ver a Escócia como nação independente: “But we can still rise now, And be the nation again”.

 

Símbolo da identidade nacional escocesa contra a tutela inglesa, tornou-se o hino oficioso escocês.

 

É “gritada” pela claque escocesa nos jogos de futebol e rugby para  abafar o hino britânico God save the Queen, cuja última estrofe apela ao esmagar dos rebeldes escoceses: “Lord grant that Marshal Wade / May by thy mighty aid / Victory bring. / May he sedition hush, / And like a torrent rush, / Rebellious Scots to crush. / God save the Queen!”.


 

Letra de Flower of Scotland


O Flower of Scotland,
When will we see your like again
That fought and died for
Your wee bit hill and glen.
And stood against him,
Proud Edward’s army,
And sent him homeward
Tae think again.

The hills are bare now,
And autumn leaves lie thick and still
O’er land that is lost now,
Which those so dearly held
That stood against him,
Proud Edward’s army
And sent him homeward
Tae think again.

Those days are past now
And in the past they must remain
But we can still rise now
And be the nation again!
That stood against him
Proud Edward’s army
And sent him homeward
Tae think again.

 

 

 

   

 

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