Olivença – Traição e usurpação
(Transcrito de Imigrantes somos todos, director Carlos Fontes)
No dia 20 de Maio de 1801, o exército espanhol, num acto de pura traição, toma o concelho de Olivença, usurpando 750 km2 do território de Portugal, incluindo uma das suas vilas mais importantes. A Vila de Olivença foi conquista pelos portugueses aos mouros, pela primeira vez em 1166. A sua posse definitiva foi reconhecida em 1297, no Tratado de Alcanises, quando foram fixadas as fronteiras entre Portugal e Castela.
Durante mais de 600 anos a sua população bateu-se contra a investidas de Castela e depois da Espanha (a partir de 1492) para preservar a sua identidade nacional. Esta usurpação ocorre num momento particularmente dramático para Portugal, dado que vivia sob a ameaça de uma invasão pelo exercito francês. A Espanha aproveita-se desta fragilidade de Portugal, e declara-lhe guerra e num acto de traição, pela força das armas, usurpa um território que não lhe pertencia subjugando uma população indefesa.
Em 1815, após inúmeras manobras negociais, a Espanha compromete-se a devolver aquilo que havia roubado a Portugal, mas acabou por nunca o fazer. Pelo contrário, iniciaram uma sistemática política de genocídio cultural de uma parte do povo português e de ocultação das marcas de um crime.
Apropriaram-se de terras portuguesas Usurparam património português Procuram extinguir lentamente as famílias portuguesas Negaram a identidade cultural aos seus descendentes. Ocultaram nomes e referências históricas de modo a esconderam a usurpação. Fizeram tudo isto, também com a conivência de alguns traidores portugueses.
Não era a primeira vez que a Espanha fazia um genocídio cultural semelhante. Fê-lo quando obrigou à conversão forçada ao cristianismo de centenas de milhares de judeus e muçulmanos. Os que resistiram foram mortos ou fugiram espoliados dos seus bens.Na América Latina, os espanhóis exterminaram de uma forma sistemática e esvaziaram da sua identidade cultural cerca de 70 milhões pessoas das Caraíbas, Astecas, Maias, Incas e de tantos outros povos. Os que hoje aí encontramos perderam o sentido primitivo da terra que habitam e dos monumentos que os cercam. Algo semelhante podemos encontrar também em Olivença. Andado pelas ruas desta cidade e pelas antigas aldeias portuguesas que a cercam, o que encontramos são pessoas que reclamam a propriedade de casas, igrejas, monumentos, ruas que foram erigidos por um outro povo com uma outra cultura, a quem carinhosamente tratam por “hermanos”.
Esvaziados da sua identidade cultural, a que hoje ostentam e se reclamam são as tradições e a fidelidade à cultura do invasor. Apenas na Alemanha Nazi e na Ex-União Soviética e na China, no século XX, ocorreram casos semelhantes. É por tudo isto que o caso de Olivença é importante, nomeadamente para compreendermos a forma como se pode exterminar um povo. Olivença pode ser considerado o primeiro caso de genocídio cultural empreendido na História Contemporânea da Europa.
Uma das novidades do crime que ocorreu em Olivença reside na forma quase silenciosa como o mesmo foi perpetrado e ainda hoje é ocultado, o que pode justificar a forma naturalizada como a questão é encarada. Nenhum remorso ou alusão aos milhares e milhares de homens, mulheres e crianças a quem lhes foi negado o direito a uma identidade, à história das suas raízes, sendo que a única que lhes concediam era a do invasor.


No pretenc defensar el genocidi americà de cap potència. I potser els espanyols -utilitzo aquest terme encara que és poc rigorós- són una mena de paradigma dels desastres de la colonització, però crec que seria un error atribuir-los l’exclusiva d’una pràctica d’extermini que -fins als nostres dies- han practicat i practiquen tots els països colonitzadors. Així es van construir altres imperis, el Britànic, l’Holandès… I em sembla que no fou diferent en el cas del Portuguès -i si ho fou, demano disculpes per la meva ignorància, però necessitaria que algú m’ho expliqués d’una manera convincent…Les anàlisis històriques són sempre polièdriques i, per tant, complexes, però un excés de simplificació corre el risc de rebaixar la raó i la solidesa de les argumentacions.
Comentando o comentário do Josep , diria que a colonização portuguesa foi diferente da castelhana e muito diferente da britânica, belga, francesa, holandesa… Os castelhanos designaram por Conquista o período que se seguiu ao descobrimento e, na realidade, destruíram civilizações avançadas. Logo aí, há uma diferença de circunstância – nos territórios ocupados pelos portugueses não havia nações como a asteca, a inca, a mapuche … Os portugueses também cometeram atrocidades, pois tinham em comum com os castelhanos essa visão de um outro que precisava de ser salvo do paganismo. Mas a Carta de Pero de Vaz de Caminha a Manuel I é bem exemplificativa da diferença – os portugueses colonizaram mais do que conquistaram. E foi meritório algum trabalho dos Jesuítas nos territórios onde hoje são o Brasil e o Uriuguai . Mas a realidade e a dimensão da diferença, não cabe num comentário a um comentário. A síntese é redutora e susceptível de criar más interpretações.