Sem as receitas extraordinárias, em 2011 o saldo negativo das contas nacionais ter-se-ia agravado em relação a 2010, ao que parece. E esse agravamento terá resultado não do aumento das despesas, mas sim de quebra nas receitas. De quebra na cobrança dos impostos, a começar pelo IVA, e na entrada das contribuições. É o círculo infernal da recessão: o corte na despesa induz a diminuição da receita, que vai induzir mais cortes na despesa, e por aí fora.
Apareceu na televisão Álvaro Santos Pereira, dito ministro da Economia, a falar dos resultados obtidos na concertação social. Deu relevo à redução do número de feriados. Foram eliminados quatro feriados, dois civis e dois religiosos. Duas datas de valor simbólico importante, o 5 de Outubro e o Primeiro de Dezembro deixaram de ser feriados. Aumentaram os dias de trabalho, mas não as remunerações. Entretanto o desemprego cresce a olhos vistos. Para os desempregados, os dias feriados não serão muito diferentes dos outros. Mas o haver mais dias de trabalho, ainda vai reduzir mais a necessidade de novos postos de trabalho. Vai até contribuir para reduzir os existentes. Será isto concertação social? E a redução do número de feriados, como reforma, deixa muito a desejar.
No Expresso da Meia Noite de ontem um senhor falou da política agrícola da EU, a PAC. E que a França e a Alemanha são os principais beneficiários desta política, que favorece muito as suas exportações. Enquanto que as exportações agrícolas portuguesas, como o vinho e a cortiça, não recebem qualquer apoio. Há aqui uma lógica, claro. Os acordos, os tratados, a concertação tendem sempre a favorecer quem tem mais poder. Mas os que têm menos poder, sozinhos, dificilmente sobrevivem. No meio disto, onde pára a competitividade, questão que anda sempre na boca dos economistas de (ou a) serviço.
Entretanto, o BCP tem tido prejuízos consideráveis. E o BPI também está com perdas. Quem irá pagar? A agência de notação Fitch (deve ser a semana dela) baixou os ratings da Espanha, Itália, Bélgica, Chipre e Eslovénia. Portugal desta vez não foi incluído. Esperemos que também não o seja na próxima jornada, ou na próxima ronda. Já sabemos que se os juros descerem muito, vêm logo descer o rating. É que é tudo ao contrário do que por aí apregoam. Nos mares da economia, o que interessa são juros altos. E se para isso for preciso aplicar notas baixas… Ao fim querem é ganhar dinheiro, não é? Quem quer juros baixos, quando lhe convém juros altos? Isso é que conta. E vamos para mais austeridade, para sobrar para os juros.
Nos dias tempestuosos em que navegamos, com meteorologia muito carregada, precisamos de outros homens ao leme. Que enfrentem estas tempestades, e tenham em consideração o interesse do povo português.
Esta semana, um comentador dá a entender que os últimos disparates de Cavaco Silva se devem a ter-se sentido injustiçado com o caso de Eduardo Catroga ir auferir 639000 euros por ano no seu part-time na EDP. Realmente, não há dúvida que o disparate não é exclusivo da classe política. Vamos de mal a pior.

