Andando por aí (1) – por Margarida Ruivaco

 

 

 Excertos do meu caderno de capas azuis “ Enquanto espero por ti – as coisas boas da vida”, com algumas adaptações.

 

Para as filhas/os que ainda não tinha, em Novembro de 2001, reescritos em Janeiro de 2012.

 

 

Vou levar-te a um dos meus locais favoritos: a nossa costa.

 

Chegaremos a meio da tarde, antes de o sol se pôr no mar.

 

Da serra do Bouro, de um sítio que te hei-de mostrar, talvez se aviste a Berlenga, por entre moinhos derrubados.

 

Segue comigo para norte, e vai olhando à tua esquerda.

 

O Sol, amarelo, irá tornar-se, gradualmente, numa bola laranja. Umas vezes será mar, outras vezes verás mata.

 

As cidades que vemos ao longe, as montanhas cobertas de neve, nuvens desfeitas de cor, serão entretanto apenas estradas riscadas pelos aviões.

 

O mar vai estar à espera, uma coberta de azuis e verdes. Os pés do peixes fazem ondas brancas, as rendas de um lençol. Irrequietos, porque a cama fica desfeita, e os lençóis levantam os barcos.

 

A  renda desfaz-se e vai com o vento, até onde ele quiser.

 

Quando chegarmos a S. Pedro de Moel, o farol estará aceso junto à concha . Seguiremos a pé , na passadeira vermelha, no soalho de pinho, até ao areal da Praia Velha, onde as ondas rebentam de saudades dos penedos, que acabaram mesmo ali ao lado.

 

Porque o sol já entra na água e em segundos desaparecerá, pouco a pouco virá a noite o o ar do pinho desejar bons sonhos a ti, e ao mar, que se espraiará na areia, até adormeceres.

 

 

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