DIÁRIO DE BORDO, 1 de Fevereiro de 2012


 

 

O  Eurostat informou ontem que o desemprego em Portugal atingiu 13,6% no final de 2011. Parece que a Comissão Europeia vem a Portugal analisar o que se passa com o desemprego jovem, que vai nos 30 %. Estamos perante números que vão continuar a crescer

 

Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia, que está longe (bastante longe) de ser um esquerdista, no domingo passado, no New York Times, recordou mais uma vez os perigos de combater a recessão com a austeridade. E referiu que pelo menos três das principais nações europeias, a Grã-Bretanha, a Itália e a Espanha estão a recuperar mais devagar da última crise do que da ocorrida em 1929, que levou à Grande Recessão do princípio dos anos 30 do século passado. Afirmou ainda que, há cinquenta anos atrás, qualquer estudante de economia, depois de ler o Economics, de Paul Samuelson, sabia ser muito perigoso combater uma recessão com austeridade. Mas esta opinião parece não colher junto dos líderes europeus, com particular destaque para Passos Coelho.

 

O chamado Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, a semana passada parecia convencido de que vinha aí um ponto de viragem, talvez porque o estado português tinha conseguido vender dívida a um juro um pouco mais baixo. Entretanto, bastaram umas notações da Fitch, mais umas exigências da Alemanha de que a UE controle directamente a execução orçamental grega, para as taxas de juro fossem por aí acima outra vez. Talvez o Gaspar estivesse a pensar noutra viragem, quem sabe. Por exemplo, a de ele mais o chefe saírem pela porta onde entraram, para irem tomar ar…

 

É que entretanto recomeçaram a falar de que a Grécia deveria sair do euro. E que Portugal vai pelo mesmo caminho que a Grécia. Embora Passos Coelho afirme a pés juntos que não vai haver mais empréstimos, toda a gente (talvez até Passos Coelho e Vítor Gaspar) sabe que Portugal não vai conseguir pagar a chamada dívida. Porque a recessão vai imperar. As despesas (nem todas, que a oligarquia quer viver bem) vão cair, mas as receitas ainda mais. E Saraiva, o líder da CIP depois de afirmar que os benefícios não são direitos, e que a legislação laboral era um pedregulho na estrada do crescimento, quando lhe disseram que as empresas agora não tinham desculpa para não produzirem, respondeu que havia mais uma série de pedregulhos. Problemas de energia, de financiamento e mais… Estão a ver? Nós é que somos o pedregulho.

 

 

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