A vaga de frio que aí vem, associada aos cortes nas pensões de reforma, cortes que têm reflexos na saúde publica, pode ser uma mistura explosiva e traduzir-se em óbitos evitáveis. Na realidade, perante o dilema a que tantos idosos são sujeitos – com as poucas centenas de euros que lhe cabem, ou compram os alimentos indispensáveis à sobrevivência, ou compram os medicamentos receitados pelos médicos e que, muitas vezes são tão necessários como a comida. Não têm possibilidade de se alimentar e de se medicar.
Os velhos encontrados mortos nestes últimos dias, demonstram que não estamos a ser pessimistas. No ano passado, foram registados quase três mil casos de gente idosa encontrada morta em suas casas. Pessoas com mais de 60 anos que morreram em casa sem assistência médica. As áreas metropolitanas de Lisboa e Porto são as mais afectadas.
Manuela Ferreira Leite opina que gente que sofra de insuficiência renal, mas que tenha mais de 70 anos, não deve ter a hemodiálise gratuita; só se a puder pagar. Ou seja quem tem mais de 70 anos (como é o caso dela) se não puder pagar a hemodiálise indispensável para continuar vivo, que morra. De facto, quem é pobre, tem mais de 70 anos, o que anda aqui a fazer? Será quando as pessoas morrerem, assassinadas pelo terrorismo social do Governo, na certidão de óbito constará que morreram de morte natural? Natural, para quem?
That is no country for old men – diz William Butler Yeats em Sailling to Byzantium. Na verdade, a idade começa a ter para os velhos mais um factor de risco, além dos que lhe são naturalmente inerentes. A não ser que sejam ricos.
A falta de sensibilidade desta gente é um espanto.

