DIÁRIO DE BORDO, 3 de Fevereiro de 2012

 


 

Anteontem, dia 1 de Fevereiro, António de Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, disse ao Correio da Manhã, em resposta a uma pergunta sobre se os depositantes têm de estar receosos devido às previsões de resultados negativos, disse assim: A Banca portuguesa está mais sólida do que nunca. De 2007 a Setembro de 2011, o capital dos oito maiores bancos fiscalizados pela troika cresceu 60%, já considerados os prejuízos. E disse mais: É preciso não esquecer que, contrariamente, aos bancos franceses e espanhóis, a Banca portuguesa não registou nenhum prejuízo durante os anos de 2008, 2009 e 2010, depois da falência do Lehman Brothers.


Ontem Fernando Ulrich, Presidente do BPI, também no Correio da Manhã, declarou que o nosso país está no bom caminho. E que que Portugal está à beira de ter um excedente, que “será um resultado nunca visto” e que, até há relativamente muito pouco tempo, todos pensariam que não seria possível alcançar. E que está espantado, por Itália e Espanha, que estão muito pior que Portugal, estarem a ser muito melhor tratados. Entretanto as contas do BPI para 2011 apresentam um prejuízo acima dos 200 milhões. Como o irá cobrir?


Por outro lado parece que o buraco do BPN já ascende a 5,3 mil milhões de euros. Este buraco não vai ser coberto pelos recém compradores, nem pelo eng.º Mira Amaral, figura pública que aparece sempre nas negociações de venda do tão falado banco. Quem os vai cobrir? O orçamento do estado. Portanto nós. E os spread bancários (que são comissões que os bancos cobram, para o comum dos mortais) estão a ir por aí acima, só sendo excedidos pelos que se praticam na Grécia.


Os bancos estão optimistas. Mas isso em nada contribui para a melhoria da vida dos portugueses. Veja-se o desemprego, que está em 13,6%, e vai subir, o consumo está em quebra (Fernando Ulrich diz que isso contribui para o equilíbrio das contas, omitindo que a queda no consumo acaba por levar a uma quebra nas receitas públicas), o serviço nacional de saúde está cada vez mais ameaçado, com os hospitais em péssima situação financeira, etc.


Para além de uma considerável diferença de pontos de vista, torna-se evidente haver interesses que se opõem. Será que os bancos que há em Portugal estão adaptados às necessidades dos portugueses. Parece evidente que não.

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