“A LIBERDADE” por jovens de Centros Tutelares Educativos trazidos por Clara Castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

“O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que se lançou pela primeira vez um olhar inteligente sobe si próprio: as minhas primeiras pátrias foram livros” – Marguerite Yourcenar

LIBERDADE

A liberdade é uma coisa muito bonita que a vida nos proporciona.

Neste momento gostaria de estar na rua a passear com os meus colegas de bairro ou estar com a minha namorada.

Eu tenho a noção que errei, mas errar é humano e acho que se deve dar mais uma oportunidade às pessoas que cometem pequenos crimes.

Há pessoas que quando nos encontram na rua fazem-nos sentir desprezados e até chegam ao ponto de nos tratar mal por termos errado uma vez.

Eu estou arrependido do que fiz e agora estou a pagar por isso e acho que até foi bom eu vir para aqui porque isto é uma pequenina amostra do que nos poderia acontecer se tivéssemos 16 anos ou mais.

Por isso tenham cuidado porque a liberdade é muito bonita e a vida não é para se viver…. É para se ir vivendo.

Luís – 15 anos

Eu queria viver a vida

 

Sem pensar no meu passado

 

Que um dia me trancou

 

Que a minha vida arruinou

 

E que deixou da minha vida num beco sem saída

 

Mas um dia se eu pudesse

 

Eu voltava de certeza atrás

 

Para viver os momentos bons

 

E esquecer as partes más                                                            Valter  – 15 anos

 

LIBERDADE

 

Eu quando estava em liberdade não lhe dei valor nenhum porque fazia mal às pessoas e era um pouco mal educado.

(….) e agora estou a pagar pelo que fiz, estou longe da família e este tipo de vida não se deseja a ninguém.Mas um dia quando eu sair não quero voltar a fazer as coisas do passado (….) Eu quero ir trabalhar, estar com a namorada, com a família e os amigos de volta.E um dia, se chegar a ter um filho não vou querer que lhe aconteça nada destas coisas.                                                            Hugo – 16 anos

 

NOTA: Textos retirados do livro “Estilhaços”, editado em 2002, pelo Instituto de Reinserção Social,  numa altura em que um equipa técnica (presto aqui homenagem aos que conheço, Pedro Strecht e Maria João Leote de Carvalho, com as devidas desculpas àqueles que não identifico) considerava que um trabalho de “reinserção” dos jovens passava por os ajudar a reflectir sobre as suas vidas, na procura de fontes de inspiração e de alternativas, em vez das punições, numa altura em que no Centro Educativo Padre António Oliveira se acreditou que os jovens podem ter outro percurso que não a continuidade da sua marginalidade.

 

 

 

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