“O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que se lançou pela primeira vez um olhar inteligente sobe si próprio: as minhas primeiras pátrias foram livros” – Marguerite Yourcenar
LIBERDADE
A liberdade é uma coisa muito bonita que a vida nos proporciona.
Neste momento gostaria de estar na rua a passear com os meus colegas de bairro ou estar com a minha namorada.
Eu tenho a noção que errei, mas errar é humano e acho que se deve dar mais uma oportunidade às pessoas que cometem pequenos crimes.
Há pessoas que quando nos encontram na rua fazem-nos sentir desprezados e até chegam ao ponto de nos tratar mal por termos errado uma vez.
Eu estou arrependido do que fiz e agora estou a pagar por isso e acho que até foi bom eu vir para aqui porque isto é uma pequenina amostra do que nos poderia acontecer se tivéssemos 16 anos ou mais.
Por isso tenham cuidado porque a liberdade é muito bonita e a vida não é para se viver…. É para se ir vivendo.
Luís – 15 anos
Eu queria viver a vida
Sem pensar no meu passado
Que um dia me trancou
Que a minha vida arruinou
E que deixou da minha vida num beco sem saída
Mas um dia se eu pudesse
Eu voltava de certeza atrás
Para viver os momentos bons
E esquecer as partes más Valter – 15 anos
LIBERDADE
Eu quando estava em liberdade não lhe dei valor nenhum porque fazia mal às pessoas e era um pouco mal educado.
(….) e agora estou a pagar pelo que fiz, estou longe da família e este tipo de vida não se deseja a ninguém.Mas um dia quando eu sair não quero voltar a fazer as coisas do passado (….) Eu quero ir trabalhar, estar com a namorada, com a família e os amigos de volta.E um dia, se chegar a ter um filho não vou querer que lhe aconteça nada destas coisas. Hugo – 16 anos
NOTA: Textos retirados do livro “Estilhaços”, editado em 2002, pelo Instituto de Reinserção Social, numa altura em que um equipa técnica (presto aqui homenagem aos que conheço, Pedro Strecht e Maria João Leote de Carvalho, com as devidas desculpas àqueles que não identifico) considerava que um trabalho de “reinserção” dos jovens passava por os ajudar a reflectir sobre as suas vidas, na procura de fontes de inspiração e de alternativas, em vez das punições, numa altura em que no Centro Educativo Padre António Oliveira se acreditou que os jovens podem ter outro percurso que não a continuidade da sua marginalidade.



